Resumo
O dólar norte-americano está a caminhar para a maior queda semanal desde Abril, devido a dados de emprego nos EUA que diminuíram as expectativas de subida das taxas de juro pela Fed. A desvalorização do dólar reflete a revisão das expectativas dos investidores sobre o aperto monetário nos EUA, após sinais de abrandamento no mercado de trabalho. A probabilidade de uma subida das taxas em Setembro caiu para 52%, face aos 64% anteriores. A fraqueza do dólar impulsionou o euro e a libra, que registaram ganhos semanais. O dólar australiano também subiu, enquanto o dólar da Nova Zelândia estava a caminho de uma valorização significativa. A evolução do dólar a longo prazo depende da inflação, atividade económica e postura restritiva da Fed.
O dólar norte-americano encaminha-se para a maior queda semanal desde Abril, depois de os mais recentes dados sobre o emprego nos Estados Unidos terem atenuado as expectativas de uma nova subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed).
Segundo dados reportados pela Reuters, o índice do dólar, que mede a evolução da moeda norte-americana face a um cabaz das principais divisas internacionais, recuava cerca de 0,6% na semana, situando-se em torno de 100,70 pontos. A trajectória representa a maior desvalorização semanal desde o início de Abril e reflecte uma revisão das expectativas dos investidores quanto ao ritmo de aperto monetário nos Estados Unidos.
O movimento foi desencadeado por sinais de abrandamento no mercado de trabalho norte-americano. A criação de empregos em Junho desacelerou de forma significativa e os números dos dois meses anteriores foram revistos em baixa, levando os mercados a reavaliar a probabilidade de a Fed avançar, já em Setembro, com uma nova subida das taxas de juro.
Dados da CME FedWatch, citados pela Reuters, indicavam que a probabilidade implícita de uma subida em Setembro caiu para 52%, face aos 64% estimados na sessão anterior. Em paralelo, os rendimentos das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos recuaram, em particular os títulos a dois anos, mais sensíveis às expectativas de política monetária.
Dados Laborais Reduzem Pressão Sobre a Fed
Para os mercados, a leitura dos dados laborais sugere que a economia norte-americana poderá estar a perder algum dinamismo, reduzindo a urgência de novas medidas restritivas por parte da Fed.
Sim Moh Siong, estratega cambial do OCBC, considerou que os dados assumem uma tonalidade mais favorável a uma política monetária menos agressiva, ao reduzirem as preocupações com um eventual sobreaquecimento do mercado de trabalho norte-americano.
Ainda assim, a perspectiva de médio prazo para o dólar continua a depender da evolução da inflação, da actividade económica e da capacidade da Fed de manter uma postura monetária restritiva. Enquanto as expectativas de taxas de juro elevadas permanecerem relativamente firmes, o dólar deverá conservar alguma vantagem, sobretudo face a moedas associadas a economias com rendimentos mais baixos.
Euro e Libra Reagem à Fraqueza da Moeda Norte-Americana
A perda de força do dólar abriu espaço para a valorização das principais moedas europeias. O euro aproximou-se de máximos de duas semanas, transaccionando em torno de 1,1454 dólares, com uma valorização semanal estimada em 0,6%.
A libra esterlina também beneficiou da alteração do sentimento nos mercados, avançando para perto de 1,3371 dólares e acumulando um ganho semanal de cerca de 1,2%, o mais expressivo em quase três meses.
Entre as moedas mais sensíveis ao apetite pelo risco, o dólar australiano registou igualmente ganhos, enquanto o dólar da Nova Zelândia se encaminhava para uma valorização semanal significativa, interrompendo uma sequência recente de perdas.
A evolução cambial ilustra a forte sensibilidade dos mercados à trajectória das taxas de juro norte-americanas. Quando os investidores antecipam juros mais elevados nos Estados Unidos, o dólar tende a beneficiar, devido ao maior retorno relativo dos activos denominados na moeda norte-americana. Quando essas expectativas enfraquecem, aumenta a procura por outras divisas e activos de risco.
Iene Recupera, Mas Intervenção Continua no Horizonte
O iene japonês foi um dos principais beneficiários do enfraquecimento temporário do dólar, recuperando parcialmente de mínimos de cerca de quatro décadas. A moeda japonesa estabilizou próximo de 161 ienes por dólar, após ter sido pressionada por uma forte tendência de depreciação nos últimos meses.
Apesar da recuperação, os mercados mantêm-se atentos à possibilidade de intervenção das autoridades japonesas. O Governo de Tóquio voltou a sinalizar que acompanha de perto a evolução do mercado cambial e que está preparado para agir em apoio ao iene, num contexto em que a depreciação da moeda aumenta os custos de importação e pressiona as famílias e empresas japonesas.
A preocupação dos investidores reside na possibilidade de as autoridades japonesas adoptarem uma estratégia menos previsível, com intervenções mais direccionadas para penalizar movimentos especulativos contra o iene.
Para Moçambique e outras economias emergentes, a evolução do dólar continua a ser relevante. Uma moeda norte-americana mais fraca pode aliviar parcialmente a pressão sobre o serviço da dívida externa denominada em dólares e reduzir custos de importação de alguns bens transaccionados internacionalmente. No entanto, os efeitos dependerão igualmente da evolução das taxas de juro globais, dos preços das matérias-primas e da dinâmica cambial interna de cada economia.
O comportamento do dólar nas próximas semanas deverá, assim, continuar fortemente condicionado pelos novos dados sobre inflação, emprego e actividade económica nos Estados Unidos, bem como pela comunicação da Reserva Federal sobre o rumo da política monetária.
Fonte: O Económico



