Resumo
Mário Coluna, conhecido como o "Monstro Sagrado", será recordado 12 anos após a sua morte, em 25 de fevereiro de 2014. Antes de se destacar no futebol, Coluna brilhou no atletismo, especialmente no salto em altura, estabelecendo recordes respeitáveis na década de 50. O ex-capitão de Portugal no Mundial de 1966 e líder do Sport Lisboa e Benfica começou a sua carreira desportiva em Lourenço Marques, mostrando talento tanto no atletismo como no futebol. A sua história desportiva revela um atleta multifacetado, cujo legado vai além das conquistas nos relvados, sendo também lembrado pelo seu desempenho nas pistas e pela sua representação orgulhosa da sua terra natal.
Muito antes de ser referência no meio-campo, Mário Coluna dividia os dias entre a escola e duas paixões que cresciam lado a lado: o futebol e o atletismo. À medida que o corpo ganhava força e elasticidade, o jovem aperfeiçoava gestos técnicos com disciplina rara. No atletismo, particularmente nas corridas de 400 e 800 metros, tornou-se um praticante respeitado, capaz de registar tempos competitivos e de impor um ritmo que revelava resistência e inteligência táctica.
Mas era no salto — sobretudo no salto em altura — que se evidenciavam predicados especiais. A impulsão, o controlo corporal e a leitura do movimento faziam dele um atleta diferente. Em meados da década de 50 saltou 1,835 metros (1m,835), recorde laurentino da época, marca que poucos portugueses conseguiram ultrapassar naquele período. Antes disso, já fixara a fasquia nos 1,82 metros em competições de juniores. Para o contexto desportivo de então, eram números de respeito, alcançados com meios modestos e numa realidade em que as oportunidades eram escassas.
A história do “Monstro Sagrado” começa, assim, muito antes das multidões da Luz. Começa nas pistas de Lourenço Marques, no entusiasmo juvenil pelas estafetas — em especial os 4×100 metros — e no orgulho de representar a terra natal. Na inauguração do então Estádio Salazar, hoje Estádio da Independência (antigo Estádio da Machava), teve a honra de dar a volta inaugural e de acender a chama na Pira Olímpica, gesto simbólico de um atleta que se movia com igual naturalidade entre modalidades.
Fonte: Jornaldesafio






