InícioRevistaSaúdeEbola atinge ritmo sem precedentes após 100 dias de epidemia na RD...

Ebola atinge ritmo sem precedentes após 100 dias de epidemia na RD Congo

Passados 100 dias da declaração oficial do surto na República Democrática do Congo, RD Congo, a Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que uma média de quase 90 casos foi confirmada por dia no primeiro trimestre de vigilância epidemiológica.

Nesta segunda-feira, a agência da ONU revelou que a velocidade de contágio supera de forma significativa o ritmo de surtos anteriores na região.

Rastreio de contatos e isolamento rápido 

O rápido avanço coloca extrema pressão sobre o sistema de saúde local e as equipes de resposta internacional. A combinação de uma alta taxa de transmissão com desafios logísticos em áreas de difícil acesso impede o rastreio de contatos e o isolamento rápido dos infectados.

As autoridades de saúde reforçam a urgência de fortalecer as medidas de vigilância nas fronteiras e de expandir a campanha de vacinação em massa para evitar que a epidemia se alastre para os países vizinhos.

Agora presente numa sexta província, a epidemia mantém a de Ituri como o epicentro, concentrando cerca de 85% dos casos e 79% das mortes confirmadas. A taxa de mortalidade permanece alarmante, registrando-se um impacto severo fora das unidades de saúde.

Centros de tratamento de ebola

Nas últimas seis semanas, cerca de 60% dos 260 óbitos semanais ocorreram fora dos centros de tratamento de ebola, confirmando graves barreiras na detecção precoce, triagem e encaminhamento de doentes.

Nos centros de saúde, os óbitos refletem internações tardias, em fases já avançadas da doença. Outras barreiras à resposta incluem a instabilidade, conflitos, ataques a infraestruturas de saúde, além da deslocação de populações, a resistência comunitária e vias de acesso complexas.

Uma profissional de saúde do sexo feminino, vestindo uniforme azul e luvas, manuseia frascos de amostras de sangue em um laboratório.

Foto OMS: S. Hawkey
Ponto frágil da resposta tem sido a velocidade

O diretor-geral da OMS afirmou que o surto só poderá ser controlado através de uma ação ampliada nas comunidades afetadas, liderada por autoridades nacionais, provinciais e locais.

Tedros Ghebreyesus defende uma ação sustentada pelos recursos necessários e apoiada por uma colaboração empenhada de todos os parceiros na RD Congo e no exterior.

Capacidade de internamento 

Apesar do cenário adverso, os esforços conjuntos da OMS, do Governo da RD Congo e dos parceiros internacionais permitiram alcançar resultados significativos nos primeiros três meses.

A capacidade laboratorial aumentou de uma para 19 instalações operacionais, com potencial para processar mais de 3 mil amostras por dia.

A capacidade de internamento subiu de menos de 10 camas para mais de 1,3 mil leitos de tratamento. Na prevenção e controle de infecções, pelo menos 900 unidades sanitárias foram equipadas e apoiadas.

A sensibilização comunitária aumentou, com ações diretas a atingir mais de 2,5 milhões de pessoas. O acompanhamento de contatos com pacientes evoluiu de 9% na primeira semana para 84% em meados de agosto.

Diagnóstico molecular 

Nos avanços científicos, registraram-se ensaios clínicos para novos tratamentos, a avaliação de vacinas candidatas e a implementação do primeiro teste de diagnóstico molecular listado para emergência contra o vírus bundibugyo.

Várias ações para a próxima fase são consideradas prioridades diante da expansão geográfica do vírus. O foco da estratégia para os meses que se seguem é o reforço da resposta ao longo do Rio Congo e nas fronteiras nacionais.

As autoridades também reforçaram a prontidão transfronteiriça com os países vizinhos através da harmonização da vigilância e da partilha de dados.

Além de intensificar a resposta agindo mais rápido para detectar casos, chegar mais cedo às comunidades e reforçar as operações onde são mais necessárias, as autoridades pedem uma trégua nos conflitos armados.

Esta atuação é essencial para permitir que as equipes da linha de frente tenham acesso seguro às comunidades mais vulneráveis e travem a cadeia de transmissão.

Fonte: ONU

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Estado Reserva 20% das Grandes Obras Para PME e Amplia Preferência...

0
As empresas adjudicatárias de empreitadas públicas avaliadas em pelo menos 100 milhões de meticais passam a estar obrigadas a subcontratar micro, pequenas e médias empresas nacionais para executar, no mínimo, 20% dos trabalhos.
- Advertisment -spot_img