A poeta e historiadora, Ana Paula Tavares, venceu, recentemente, a 37ª edição do Prémio Camões, em Portugal. Mais do que poeta, ela é uma intelectual comprometida com a preservação da cultura angolana, pois escava a alma de Angola.
Não é apenas uma distinção literária, trata-se de um reconhecimento da força transformadora da poesia africana escrita em português. Num tempo em que o mundo parece cada vez mais fragmentado, a obra da poeta angolana revela um fio de continuidade entre passado, presente e futuro, memória e identidade, dor e beleza.
A sua poesia é feita de vozes ancestrais, mulheres silenciadas, rituais esquecidos e paisagens que sobrevivem à guerra. Com uma linguagem delicada e firme, ela transforma o trauma em arte e a história em canto. A atribuição do prémio reconheceu a rara capacidade da poeta de transformar a palavra num lugar de cura.
O Prémio Camões tem o poder de moldar narrativas e redefinir espaços de reconhecimento. Ao distinguir a poetisa, transmite uma mensagem inequívoca de que a literatura lusófona está viva e em constante transformação. Que este gesto inspire editoras, escolas e leitores a descobrir outras vozes como da Tavares, vozes que não apenas escrevem, mas que iluminam, questionam e transcendem.
Além do Brasil e de Portugal, que contam com 15 e 14 premiados, respectivamente. O Prémio Camões, também, foi atribuído a três personalidades literárias de Moçambique, duas de Cabo Verde e duas de Angola, para além do luso-angolano Luandino Vieira. Importa destacar que este galardão já distinguiu poetas moçambicanos como José Craverinha (1991), Mia Couto (2013) e Paulina Chiziane (2021).






