InícioRevistaSaúdeExpansão do vírus ebola na RD Congo ameaça atravessar fronteiras

Expansão do vírus ebola na RD Congo ameaça atravessar fronteiras

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2ª reunião do Comitê de Emergência, realçando o registro de quase 5 mil pessoas infectadas por ebola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções em nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

Higienistas apoiados pelo UNICEF, usando equipamentos de proteção individual, desinfetam uma tenda médica no Centre Médical Evangélique, hospital em Bunia, República Democrática do Congo, durante o surto de Ebola de 2026.

© Unicef/ John James
Uma equipe de higienistas desinfeta uma tenda em Bunia, na província de Ituri, na República Democrática do Congo.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá se sobrepor a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo em um cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

Em Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou a transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

Vista aérea de uma travessia de rio nas colinas de Ituri, na República Democrática do Congo, mostrando um rio sinuoso atravessando uma paisagem verdejante com afloramentos rochosos.

© MONUSCO/Abel Kavanagh
Quase 5 mil pessoas infectadas por ebola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipes médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão morrendo em casa, em suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registrados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controle de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Um profissional de saúde, usando todos os equipamentos de proteção individual, está em um centro de tratamento de Ebola em Nizi, na República Democrática do Congo, analisando um prontuário médico.

© OMS
OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ebola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam ceifando vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde.

Fonte: ONU

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