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Factura de Combustíveis Dispara para 230 Milhões de Dólares e Pressiona Preços Internos

A factura de importação de combustíveis de Moçambique registou uma escalada abrupta nas últimas semanas, evidenciando a forte exposição da economia nacional às dinâmicas do mercado energético internacional.Dados avançados pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia indicam que os encargos com a importação de combustíveis ascenderam a cerca de , mais do que o dobro dos aproximadamente , num intervalo inferior a dois meses.A directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, , descreveu a situação como um verdadeiro “choque” nos preços, sublinhando o impacto directo desta escalada sobre a economia nacional.A pressão sobre a factura energética resulta, em grande medida, da subida acentuada dos preços internacionais dos produtos petrolíferos, fortemente influenciada pela instabilidade no Médio Oriente.Segundo dados apresentados pelo Ministério, a , enquanto o .No caso do combustível de aviação (JET), a escalada foi ainda mais acentuada, com os preços a subirem de cerca de , reflectindo elevada volatilidade no segmento.“Estamos a registar um aumento muito significativo da factura de importação de combustíveis”, afirmou Felisbela Nhate, acrescentando que o fenómeno está directamente ligado ao contexto geopolítico internacional.Para além do aumento do preço do produto, os custos logísticos estão a desempenhar um papel determinante na escalada da factura.O custo de transporte do barril registou uma subida expressiva, passando de cerca de , influenciando directamente o preço CIF — base de cálculo do preço final dos combustíveis no mercado interno.“O custo de frete entra na equação do cálculo do CIF, que é aquele preço que reflecte na nossa factura de importação”, explicou a responsável.Este aumento simultâneo do preço do produto e dos custos de transporte amplifica o impacto sobre o mercado doméstico, tornando inevitável a pressão sobre os preços internos.Entre os diferentes produtos, o gasóleo assume particular relevância devido ao seu papel transversal na economia.“O gasóleo é o combustível usado praticamente nos meios de logística e transporte e tem um efeito multiplicador em todos os outros sectores”, sublinhou Felisbela Nhate.Este efeito multiplicador significa que o aumento do preço do gasóleo tende a repercutir-se em cadeia, afectando custos de transporte, distribuição, produção e, em última instância, os preços ao consumidor.Perante este cenário, o Governo admite a possibilidade de revisão dos preços dos combustíveis no mercado interno.“Estamos já a fazer um exercício que vai naturalmente culminar com a necessidade de fazermos alguns ajustes”, afirmou Felisbela Nhate, acrescentando que qualquer decisão será acompanhada por medidas de mitigação para proteger consumidores e empresas.A Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), responsável pela formação de preços, poderá ser chamada a intervir no mecanismo de ajustamento.Para além da pressão sobre os preços, o aumento da factura energética levanta riscos adicionais para o funcionamento do sector.As autoridades alertam para a possibilidade de redução da liquidez das empresas distribuidoras, dificuldades no acesso ao financiamento bancário e potenciais constrangimentos no abastecimento.“Esta factura agravada traz riscos que devem ser considerados pelo sector, incluindo desafios na manutenção do abastecimento”, advertiu a directora.No plano regional, Moçambique não está isolado. Países como Malawi, Zimbábue, Zâmbia e Tanzânia já procederam a ajustamentos em alta dos preços dos combustíveis, enquanto a África do Sul apresenta níveis de preços superiores.“Praticamente todos os países da região tiveram que fazer ajustamentos de preços”, referiu Felisbela Nhate.O impacto da escalada energética não se limita aos combustíveis rodoviários.O aumento do preço do combustível de aviação (JET) poderá traduzir-se num encarecimento do transporte aéreo, afectando directamente os custos operacionais das companhias e as tarifas aos passageiros.Este efeito reforça o carácter transversal da crise energética, com impactos que se estendem a múltiplos sectores da economia.A evolução recente da factura de combustíveis evidencia uma vulnerabilidade estrutural da economia moçambicana: a elevada dependência de importações energéticas.Num contexto internacional marcado por volatilidade e risco geopolítico, esta dependência traduz-se em choques rápidos e intensos sobre a economia doméstica.Apesar das garantias de medidas de mitigação, o cenário aponta para um período de ajustamento inevitável, em que o equilíbrio entre sustentabilidade financeira do sector e protecção do consumidor será determinante.

Fonte: O Económico

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