InícioInternacionalONU intensifica alertas para múltiplas crises geradas por conflito no Oriente Médio

ONU intensifica alertas para múltiplas crises geradas por conflito no Oriente Médio

Em meio ao aprofundamento das incertezas sobre o fim do conflito no Oriente Médio e à persistência da crise no Estreito de Ormuz, as Nações Unidas intensificam apelos para o fim da guerra em face às crises em cascata.

Do estrangulamento comercial à disparada de preços, o cenário atual expõe a fragilidade da economia global dependente de rotas de risco e combustíveis fósseis.

Urgência da transição energética

Em mensagem de vídeo aos participantes do Diálogo Climático de Petersberg, nesta terça-feira, o secretário-geral, António Guterres, classificou a conjuntura atual como a “crise energética mais grave em uma geração”.

Uma vista da Praia Vermelha na ilha de Ormuz, no Irã, com a distintiva costa de areia rosa e penhascos vermelhos encontrando águas turquesa sob um céu azul.

© Unsplash
Transporte marítimo segue paralisado no Estreito de Ormuz

Para Guterres, é um fato cristalino que “a dependência de combustíveis fósseis não apenas impulsiona a destruição do planeta, mas mantém as economias mundiais como reféns da instabilidade e da escalada de custos”. 

O líder das Nações Unidas defende que a energia limpa é o único caminho seguro para o futuro, apelando por investimentos acelerados, infraestrutura robusta e maior financiamento para viabilizar uma transição global.

A dependência energética citada por Guterres choca com a crise humanitária e comercial em alto mar. A Organização Marítima Internacional, OMI, acompanha com “extrema preocupação” o impacto da instabilidade no transporte global.

Logística no Estreito de Ormuz

Numa passagem por Cingapura, o secretário-geral da agência da ONU, Arsenio Dominguez, abordou os episódios vivenciados pelos profissionais do mar. 

Com o transporte marítimo paralisado no Estreito de Ormuz, uma das passagens logísticas mundiais mais importantes, cerca de 20 mil marinheiros e até 2 mil navios encontram-se retidos. O estresse e a fadiga extrema já afetam as tripulações bloqueadas.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih, inspeciona um local de destruição generalizada e escombros em Beirute, no Líbano, após o conflito.

© Acnur/Houssam Hariri
Emergência humanitária persiste no Líbano independentemente do cessar-fogo

Antes da escalada dos conflitos, iniciada em fevereiro, a via era responsável pelo trânsito de um quarto do comércio global de petróleo por mar, além de altos volumes de gás natural e fertilizantes. 

Dominguez apelou à solidariedade internacional, agradecendo aos países que já enviaram linhas de apoio e suprimentos alimentares. Ele pediu o fornecimento de internet gratuita para que as tripulações isoladas possam contatar suas famílias.

Gaza e Líbano

No epicentro da crise, o impacto humano atinge níveis considerados insustentáveis. Na Faixa de Gaza, os preços disparam e itens básicos de sobrevivência, como o gás de cozinha, praticamente desapareceram. 

A escassez é tão severa que muitas crianças recorrem à queima de pedaços de plástico e papelão para cozinhar ou se aquecer. 

Em meio aos escombros, a Agência da ONU para Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa, ajuda a criar espaços seguros, oferecendo auxílio psicossocial e oportunidades de aprendizado para apoiar os jovens a lidarem com o trauma. 

Um homem operando uma cultivadora motorizada verde em um campo seco e arado sob um céu azul. Esta imagem ilustra a assistência técnica para a agricultura sustentável fornecida pelos Fundos Suplementares do Governo da Noruega para a Nutrição, por meio do FIDA.

© Fida/Didor Sadulloev
Conflito tem provocado alta generalizada nos custos de alimentos, combustíveis e fertilizantes

Já o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, continua documentando as baixas diárias e os danos materiais extensivos causados por operações militares e atos de violência em assentamentos.

Efeito cascata na economia global

No Líbano, a emergência humanitária persiste independentemente do cessar-fogo. As famílias deslocadas que tentam retornar às suas casas encontram um cenário de infraestrutura danificada e acesso severamente restrito a serviços essenciais.

A turbulência já se reflete no bolso dos consumidores e nas projeções macroeconômicas regionais.  Agências da ONU alertam que o conflito tem provocado uma alta generalizada nos custos de alimentos, combustíveis e fertilizantes, impactando o orçamento das populações mais vulneráveis. 

Turbulência já se reflete no bolso dos consumidores e nas projeções macroeconômicas regionais

Thomas Michael Perry/World Bank
Turbulência já se reflete no bolso dos consumidores e nas projeções macroeconômicas regionais

Nos mercados mais próximos e globais, os preços do petróleo sofrem grandes oscilações, ditadas pelo temor de interrupções prolongadas no tráfego de navios-tanque.

Desaceleração econômica iminente

As consequências a longo prazo já levam a remanejar o futuro de mercados emergentes. Um novo relatório da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia e o Pacífico, Escap, projeta uma desaceleração econômica iminente. 

O estudo prevê que o crescimento das economias em desenvolvimento na região asiática cairá para 4% em 2026, uma queda em relação aos 4,6% registrados em 2025. 

Ao mesmo tempo, a inflação regional deve saltar de 3,5% para 4,6%, confirmando os temores de que a instabilidade no Oriente Médio cobrará uma fatura global e demorada.

Fonte: ONU

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