InícioNacionalSociedadeFamílias continuam a viver em zonas de risco após as cheias 

Famílias continuam a viver em zonas de risco após as cheias 

Resumo

Dezenas de famílias nas margens do rio Revúboè, em Tete, ainda vivem em zonas de risco após as cheias de março. A falta de alternativas habitacionais leva os moradores a permanecer junto ao rio, apesar dos perigos. As autoridades são acusadas de falta de apoio no reassentamento, levando muitos a permanecer em áreas vulneráveis. Famílias que foram temporariamente realojadas agora enfrentam incerteza, sem soluções viáveis apresentadas. Residentes e líderes locais pedem medidas urgentes para evitar futuros riscos de cheias, mas as autoridades remetem a responsabilidade para outras entidades, deixando as famílias à espera de respostas concretas e vivendo com medo de novas inundações.

Dois meses após as cheias que afectaram centenas de famílias residentes nas margens do rio Revúboè, na cidade de Tete, dezenas de agregados familiares continuam a viver em zonas consideradas de risco, sobretudo nos bairros Chingodzi e Matundo.

Numa visita efectuada pela STV aos locais afectados, foi possível constatar que muitas habitações permanecem erguidas junto às margens do rio, apesar dos prejuízos causados pelas inundações registadas em Março último.

Os moradores admitem estar expostos ao perigo, mas justificam a permanência nas áreas vulneráveis com a falta de alternativas habitacionais. Alegam ainda não possuir condições financeiras para construir em locais seguros nem acesso a terrenos para reassentamento.

Tomas Marcos, Victor Erculano e Gilda Firmino, residentes daquelas zonas, afirmam que, embora tenham consciência dos riscos, não têm outra opção senão continuar a viver junto ao rio.

Entretanto, alguns munícipes acusam as autoridades de falta de acompanhamento e assistência após a ocorrência das cheias. Segundo Arlinda Ngovo, a ausência de medidas concretas para o reassentamento das famílias contribui para que muitas pessoas permaneçam em locais vulneráveis.

As famílias que chegaram a ser acolhidas no centro de acomodação instalado no Instituto Industrial de Tete durante o período mais crítico das cheias relatam que, após a estabilização da situação, foram orientadas a regressar às suas zonas de origem.

Domingos Matique e Fátima Victorino, antigos ocupantes do centro de acomodação, dizem que regressaram às suas residências apesar dos riscos, por não terem sido apresentadas alternativas viáveis para a sua reinstalação.

Enquanto isso, centenas de famílias continuam a viver entre a incerteza e o receio de que uma nova época chuvosa volte a colocar em perigo vidas humanas e bens materiais nas margens do rio Revúboè.

Para Gervásio Ernesto, pastor e residente da região, é urgente que sejam encontradas soluções duradouras para evitar que as populações continuem expostas aos efeitos das cheias.

Contactada pela STV para esclarecer as medidas em curso visando o reassentamento das famílias que vivem em zonas de risco, a edilidade de Tete, através do assessor de comunicação do presidente do Conselho Municipal, remeteu o assunto ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Por sua vez, a delegada provincial do INGD encaminhou os esclarecimentos para o Conselho Municipal de Tete, sem avançar informações sobre eventuais soluções para os moradores afectados.

Perante este cenário, as famílias afectadas continuam à espera de respostas concretas das autoridades, enquanto permanecem em locais susceptíveis a novas inundações.

 

Fonte: O País

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