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Governo e jornalistas debatem sustentabilidade dos media em Moçambique

Resumo

Em Maputo, decorreu a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, onde representantes do Governo, jornalistas e académicos discutiram a importância de reforçar a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social em Moçambique. O evento, organizado pelo Jornal Evidências, abordou os desafios da transformação digital, da redução de receitas publicitárias e da preservação da independência editorial. Emília Moiane, do GABINFO, destacou a competição das plataformas digitais pelas receitas publicitárias dos media tradicionais e a necessidade de apoio financeiro para garantir a democracia. Apesar do apoio estatal, defendeu-se a independência editorial, assegurando que não há interferência nas linhas editoriais dos órgãos apoiados. Ernesto Nhanale, do MISA Moçambique, alertou para a fragilidade económica do país e a dependência dos media da publicidade institucional, que pode limitar a independência editorial.

Representantes do Governo, jornalistas, académicos e membros da sociedade civil defenderam, nesta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social moçambicanos, num contexto marcado pela transformação digital, redução de receitas publicitárias e desafios à independência editorial.

O debate decorreu durante a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, organizada pelo Jornal Evidências, sob o lema “Discutir a Sustentabilidade dos Órgãos de Comunicação Social é Também Reflectir sobre a Democracia”.

Na abertura do evento, a directora do Gabinete de Informação (GABINFO), Emília Moiane, reconheceu que os media tradicionais enfrentam dificuldades crescentes para captar receitas publicitárias, devido ao crescimento das plataformas digitais.

“Os media digitais estão, de alguma forma, a roubar aquilo que é a publicidade ou a fonte de receita dos media tradicionais. Temos também problemas relacionados às agências de publicidade. São muitos desafios”, afirmou.

Segundo Emília Moiane, o Governo reconhece que a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social constitui um elemento central para o funcionamento saudável do sector e da democracia.

“O Governo nunca vai deixar de olhar para esta parte relativa à sustentabilidade dos media com muita atenção e clareza de que é preciso fazer alguma coisa”, declarou.

A dirigente revelou ainda que o estatuto orgânico do GABINFO prevê mecanismos de apoio financeiro aos órgãos de comunicação social, embora reconheça que o modelo ainda precisa de maior regulamentação e equilíbrio na distribuição da publicidade entre media tradicionais e digitais.

Questionada sobre o risco de interferência editorial decorrente da comparticipação financeira do Estado, no âmbito da revisão das leis de comunicação social e radiodifusão, Emília Moiane rejeitou que tal represente ameaça à independência dos media.

“Não olhamos isso como um factor de redução da independência do próprio órgão. Os órgãos públicos têm participação do Estado, mas a lei garante independência aos jornalistas e aos órgãos de comunicação social públicos”, explicou.

A responsável sustentou que o Estado não interfere directamente nas linhas editoriais dos órgãos apoiados financeiramente.

“Há comparticipação, sim, mas não há interferência na funcionalidade desses órgãos. O Estado não está sentado a censurar notícias”, afirmou.

Por sua vez, o director-executivo do MISA Moçambique, Ernesto Nhanale, considerou que a sustentabilidade dos media em Moçambique continua a ser um “paradoxo”, devido à fragilidade económica do País e à dependência do sector em relação à publicidade institucional.

“O negócio dos media depende de um mercado empresarial competitivo e de cidadãos com capacidade económica para consumir produtos e serviços”, explicou.

Nhanale alertou que, num contexto de economia pouco robusta e forte peso do Estado no mercado publicitário, a independência editorial pode tornar-se limitada.

“A maior forma de garantir independência é a capacidade de gerar receitas próprias. No nosso contexto, esse consumidor não tem grande capacidade de pagar”, afirmou.

O responsável destacou ainda a importância da educação cultural e da valorização do consumo de conteúdos jornalísticos como factores essenciais para fortalecer a indústria da comunicação social.

Também presente no evento, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu que a sustentabilidade dos media é fundamental para consolidar a democracia, a transparência e a participação cidadã.

“O Município de Maputo reconhece o papel determinante da comunicação social na promoção da transparência, da governação participativa e da aproximação entre instituições e cidadãos”, afirmou.

Salim Valá destaca papel estratégico dos media no fortalecimento da democracia

O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que a comunicação social desempenha um papel central na consolidação da democracia, promoção da transparência e desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Falando nesta quinta-feira, em Maputo, durante a abertura da Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, o governante defendeu que o debate sobre a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social está directamente ligado à qualidade da democracia e ao fortalecimento do espaço público.

“Discutir a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social é também reflectir sobre a democracia”, afirmou.

Segundo Salim Valá, os media vão além da simples transmissão de informação, assumindo-se como instituições fundamentais para o escrutínio público, formação da opinião e promoção da cidadania democrática.

O ministro destacou que o sector da comunicação social atravessa um período de profundas transformações, marcado pela expansão das plataformas digitais, redução das receitas publicitárias tradicionais e crescente influência das grandes empresas tecnológicas globais.

“Os media enfrentam hoje desafios estruturais impostos pela transformação digital e pela necessidade de adaptação dos seus modelos de financiamento e funcionamento”, referiu.

O governante reconheceu igualmente as dificuldades económicas e operacionais enfrentadas pelos órgãos de comunicação social no país, mas elogiou a capacidade de resistência e continuidade do sector.

“Apesar dos constrangimentos, os media continuam a desempenhar a sua missão de informar, educar e aproximar os cidadãos da vida pública”, declarou.

Durante a sua intervenção, Salim Valá abordou também o impacto da inteligência artificial no jornalismo, alertando para os desafios éticos associados ao uso das novas tecnologias, sobretudo no que diz respeito à verificação da informação, combate à desinformação e preservação da credibilidade editorial.

A Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media reúne, na Cidade de Maputo, representantes do Governo, jornalistas, académicos, organizações da sociedade civil e especialistas em comunicação social para discutir soluções sobre sustentabilidade económica, independência editorial e transformação digital dos media moçambicanos.

Fonte: O País

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