Por: Gelva Anibal
A ideia de que uma guerra só afecta os países envolvidos tornou-se cada vez mais difícil de sustentar. Num mundo economicamente interligado, os conflitos ultrapassam fronteiras e produzem efeitos que chegam aos mercados, às empresas e às famílias, mesmo a milhares de quilómetros de distância.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), na actualização das Perspectivas da Economia Mundial divulgada em Julho de 2026, alerta que as tensões geopolíticas continuam a representar um dos principais riscos para a estabilidade económica global, apesar da previsão de um crescimento moderado da economia mundial.
A interrupção das cadeias de abastecimento, a instabilidade nos mercados de energia, o aumento dos custos de transporte e a incerteza nos investimentos, acabam por influenciar o preço dos bens e serviços em economias que nada têm a ver com o campo de batalha. É por isso que decisões tomadas em centros de poder distantes podem reflectir-se no custo dos alimentos, dos combustíveis e de outros produtos essenciais.
Para economias mais vulneráveis, como a moçambicana, esta realidade torna-se ainda mais desafiante, pois a dependência de importações, a exposição às oscilações dos preços internacionais e a limitada capacidade de absorver choques externos fazem com que crises internacionais tenham repercussões imediatas na vida dos cidadãos.
Enquanto persistirem fragilidades na produção interna, na industrialização e na diversificação económica, qualquer conflito internacional continuará a representar um risco para o poder de compra da população e para o crescimento económico.
Num cenário marcado por sucessivas crises internacionais, a resiliência económica deixou de depender da gestão das finanças públicas, passando assim, pela capacidade de reduzir dependências externas, fortalecer a produção nacional e criar condições para que choques globais tenham um impacto menos severo sobre a economia e sobre o bem-estar das famílias.
Se uma guerra travada a milhares de quilómetros consegue alterar o custo de vida de milhões de pessoas, não será tempo de os países mais vulneráveis reforçarem a sua capacidade de resistir aos impactos das crises externas?


