InícioTecnologiaHidrogénio tem cores? Não é por acaso!

Hidrogénio tem cores? Não é por acaso!

Resumo

O hidrogénio pode não ter cor, mas as cores associadas a ele indicam a sua origem ecológica. O hidrogénio verde, extraído da água com eletricidade renovável, é o mais limpo, seguido do azul, obtido a partir de combustíveis fósseis com captura de carbono. Já o preto, castanho e cinzento são mais poluentes, enquanto o rosa vem da energia nuclear e o amarelo da eletricidade convencional. O branco é encontrado na natureza, mas a sua extração é dispendiosa. Apesar das promessas de ser o combustível do futuro, a produção de hidrogénio verde ainda é cara e ineficiente, levando muitas empresas a recorrer a cores para mascarar o uso de energias fósseis.

Hidrogénio às cores? O gás é transparente, mas existe um sistema de cores para perceber de onde ele vem.

Pois bem, quem costuma andar atento às discussões sobre a transição energética e o futuro do planeta já se deve ter cruzado com uma conversa que, à partida, parece não fazer sentido nenhum. Estamos a falar das cores do hidrogénio.

Mas, isto é interessante.

Como todos sabemos, o gás hidrogénio é completamente invisível ao olho humano, por isso, andar a discutir se ele é verde, azul ou amarelo parece uma complicação sem grande uso real.

No entanto, estas cores não servem para pintar o gás, mas sim para identificar a fonte de energia ou o material que foi utilizado para o extrair.

No fundo, é uma forma de percebermos se estamos perante uma alternativa limpa ou se nos andam a vender gato por lebre disfarçado de ecologia. Sim, porque nem todo o hidrogénio é limpo.

Portanto, para percebermos o que está em jogo, temos de olhar para o topo da lista. O famoso hidrogénio verde é o rapaz bonito da história. Isto porque é extraído da água através de eletrólise, utilizando eletricidade que vem puramente de fontes renováveis, como a eólica ou a solar. É assim o hidrogénio mais limpo, e por isso verde.

Logo a seguir temos o azul, que é extraído de combustíveis fósseis, mas onde as empresas prometem (supostamente) capturar o carbono durante o processo para que este não vá parar à atmosfera. É menos verde, mas ainda assim muito amigo do ambiente.

Depois, entramos na zona escura da tabela! O preto e o castanho usam carvão puro, enquanto o cinzento recorre ao gás natural sem qualquer tipo de captura de emissões, sendo o mais poluente de todos.

Se utilizares energia nuclear para fazer a extração a partir da água, passas a ter hidrogénio rosa. Se não quiseres ter trabalho a escolher e te limitares a usar a eletricidade que a rede pública disponibiliza a cada momento, venha ela de onde vier, o hidrogénio passa a chamar-se amarelo. No fundo, as cores servem para criar uma hierarquia de pureza num produto que, no final do dia, faz exactamente o mesmo.

Por fim, temos o hidrogénio branco. Um nome atribuído ao gás encontrado diretamente em depósitos naturais na crosta terrestre. Ou gerado como um simples produto secundário (e muitas vezes indesejado) por um processo industrial qualquer que já estava a acontecer.

Seria a solução ideal, mas a verdade é que as fontes naturais são raras e a extração industrial continua a exigir investimentos brutais.

No fundo, o hidrogénio não vai (muito provavelmente) ser o futuro do mercado automóvel. Porque…  

Muitos prometem que o hidrogénio vai ser o combustível do futuro para os carros, camiões e indústrias pesadas, mas a realidade do dia a dia mostra que o processo para o obter consome uma quantidade absurda de eletricidade. Até que a produção do hidrogénio verde seja realmente barata e eficiente, vamos continuar a ver as empresas a usar as cores para disfarçar o uso de energias fósseis.

 

Fonte: Zero Zero

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