InícioRevistaEconomiaSOUTH32 ESTIMA CUSTOS DE 104 MILHÕES DE EUROS APÓS PARALISAÇÃO DA MOZAL

SOUTH32 ESTIMA CUSTOS DE 104 MILHÕES DE EUROS APÓS PARALISAÇÃO DA MOZAL

Por: Alfredo Júnior

A mineradora australiana South32 estima custos extraordinários de cerca de 104 milhões de euros (117 milhões de dólares) na sequência da paralisação da fundição de alumínio Mozal, a maior unidade industrial de Moçambique. A empresa revelou que o impacto financeiro resulta da suspensão das operações em Março de 2026, medida que provocou uma redução de 30% na produção e de 22% nas vendas durante o exercício fiscal encerrado a 30 de Junho.

Segundo o relatório trimestral divulgado pela companhia, os encargos extraordinários incluem aproximadamente 28 milhões de euros destinados ao pagamento de indemnizações e rescisões contratuais de trabalhadores, bem como cerca de 76 milhões de euros associados à desvalorização contabilística de matérias-primas, consumíveis e inventários após a transição da fundição para o regime de conservação e manutenção (care and maintenance). A empresa esclareceu que estes custos serão tratados como itens excepcionais e não integrarão os resultados operacionais recorrentes.

Os indicadores operacionais confirmam o impacto da paralisação. A produção de alumínio atribuível à participação de 63,7% da South32 na Mozal caiu de 355 mil toneladas no exercício fiscal de 2025 para 248 mil toneladas em 2026, enquanto as vendas recuaram de 351 mil para 275 mil toneladas. A produção cessou em meados de Março, após a empresa colocar a fundição em regime de conservação e manutenção.

A suspensão das actividades foi anunciada depois de vários meses de negociações sem sucesso entre a South32, o Governo moçambicano, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa sul-africana Eskom para assegurar um novo contrato de fornecimento de energia eléctrica em condições consideradas competitivas. Sem um acordo que garantisse energia suficiente e a preços viáveis após o termo do contrato em Março de 2026, a empresa decidiu interromper as operações da fundição.

A Mozal é considerada um dos maiores investimentos industriais realizados em Moçambique desde a independência e desempenha um papel relevante na economia nacional. Além de representar uma parcela significativa das exportações de alumínio do país, a unidade empregava, directa e indirectamente, mais de quatro mil trabalhadores, sendo igualmente responsável pela dinamização de uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.

Apesar da paralisação da Mozal, a South32 registou um desempenho operacional sólido nas restantes operações durante o exercício fiscal de 2026. A empresa superou as metas de produção em vários activos mineiros e anunciou, no início de Julho, um acordo para vender a maior parte dos seus activos da cadeia de alumínio à norte-americana Alcoa, numa transacção avaliada em até 5,6 mil milhões de dólares. A Mozal ficou excluída desse negócio, permanecendo sob gestão da South32 enquanto decorrem avaliações sobre o futuro da unidade.

O futuro da fundição continuará dependente da possibilidade de alcançar um novo entendimento sobre o fornecimento de energia. Enquanto isso não acontecer, a Mozal permanecerá em regime de conservação e manutenção, situação que mantém suspensa uma das principais unidades exportadoras e industriais de Moçambique.

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