Estas conclusões constam de um novo estudo do Fundo Monetário Internacional, FMI. A publicação prevê que, caso África mantenha os atuais níveis de preparação na próxima década, a IA irá contribuir apenas com 0,2% para o PIB da região.
Potencial transformador
O cenário inverso é o mais promissor. Se os países conseguirem criar as bases para acelerar a adoção e alargar o impacto da IA, os ganhos na atividade da economia poderão subir para cerca de 4% ao longo da década.

Investigadores lembram que a IA pode permitir o próximo grande salto tecnológico no continente africano
Esse crescimento adicional é crucial, tendo em conta o enorme desafio do emprego. Até 2030, a África Subsaariana representará cerca de metade das novas entradas na força de trabalho global. No entanto, a maioria dos trabalhadores dedica-se a atividades de baixa produtividade.
Ao auxiliar a gestão de inventários, apoiar a transição para a formalidade empresarial e reforçar a capacidade de exportação, a integração da IA na região promete aumentar a produtividade económica, em oposição à substituição de trabalhadores.
IA mostra sinais promissores
A publicação destaca que o ponto central da integração da IA nos setores da economia africana prende-se com a sua capacidade de abranger explorações agrícolas, escolas, clínicas, pequenas empresas e administrações fiscais.
Alguns sinais encorajadores podem ser observados no Gana, na Nigéria, no Ruanda e no Uganda. Os ensaios sugerem que o aconselhamento digital pode aumentar os rendimentos, especialmente quando combinado com melhores insumos.
Por sua vez, na África do Sul, ensaios semelhantes com monitorização de culturas através de ferramentas de IA demonstram que a tecnologia pode aumentar a produção e reduzir o desperdício alimentar no setor.

IA em África não é apenas uma questão de política tecnológica, mas sim uma questão central para a estratégia de crescimento
Experiências recentes noutros setores mostram resultados favoráveis com a tecnologia. É o caso do apoio à educação através de tutores de IA, do apoio ao diagnóstico e ao acompanhamento de doentes, bem como do reforço do cumprimento fiscal e da mobilização de receitas para o desenvolvimento.
Concretizar o potencial da IA
Apesar das disparidades no investimento e na produtividade na realidade de economias mais desenvolvidas, os investigadores lembram que a IA pode permitir o próximo grande salto tecnológico no continente africano.
Para desbloquear o seu potencial, a publicação destaca a necessidade de investimento em redes de eletricidade fiáveis, infraestruturas de dados e no desenvolvimento de competências digitais entre os trabalhadores.
Os autores acrescentam também a criação de regras claras e práticas sobre dados, concorrência, proteção do consumidor, cibersegurança e utilização responsável da IA nos setores públicos africanos.
O documento lembra que a IA em África não é apenas uma questão de política tecnológica, mas sim uma questão central para a estratégia de crescimento, garantindo um uso amplo, acessível e seguro no continente.
*Matéria original adaptada do original de Martin Schindler, Nikola Spatafora, and Andrew Tiffin.
Fonte: ONU






