Muita gente parte de férias e deixa o carro parado na garagem ou na rua durante duas ou três semanas, convencida de que um carro parado é um carro em segurança. Nem sempre é assim. Um veículo imobilizado durante muito tempo sofre um conjunto de problemas próprios, e há quem só descubra isso no dia do regresso, ao rodar a chave e não ouvir nada. A boa notícia é que quase tudo se previne em vinte minutos, na véspera.
O primeiro cuidado é a bateria. Mesmo com o carro desligado, o alarme, o computador de bordo e outros sistemas continuam a consumir energia lentamente. Baterias já com alguns anos são as que dão problemas ao fim de duas ou três semanas paradas. Se o carro vai ficar muito tempo, e se tiveres acesso fácil, desligar o terminal negativo resolve o problema, sabendo que depois vais ter de acertar relógio e rádio.

Depois, os pneus. Um carro parado no mesmo ponto durante semanas pode desenvolver deformações na zona de contacto com o chão, sobretudo com calor e com pressão baixa. Calibrar os pneus antes de sair, e até deixá-los ligeiramente acima do valor habitual, reduz esse risco.
Convém ainda não deixar o depósito quase vazio, porque isso favorece a condensação no interior. E vale a pena tirar do interior tudo o que estraga com o calor: alimentos, garrafas, isqueiros, aerossóis e aparelhos eletrónicos, que num habitáculo fechado ao sol atingem temperaturas altíssimas.
Se puderes, à sombra ou em garagem. O sol direto durante semanas degrada a pintura, resseca borrachas e plásticos e transforma o interior num forno. Se ficar na rua, evita estacionar debaixo de árvores que largam resina ou onde há aves, porque tanto a seiva como os dejetos danificam o verniz se ficarem semanas a secar ao sol.
Verifica também as janelas e o teto de abrir. Uma frincha aberta para “arejar” é convite para chuva inesperada e para insetos.
O seguro e a inspeção continuam a correr enquanto estás na praia. Se algum deles caducar durante as férias, o carro fica irregular no dia em que voltares a circular e, no caso do seguro, mesmo estacionado na via pública já há problema. Confirma as datas antes de partires; é a verificação mais rápida de todas e a que sai mais cara quando falha.

Não arranques logo a acelerar. Antes de entrar, dá uma volta ao carro e olha para o chão por baixo, à procura de manchas que indiquem fugas. Confirma a pressão dos pneus, porque perderam certamente algum ar, e verifica se não há ninhos ou vestígios de roedores junto ao motor, em zonas rurais é mais comum do que se pensa e os danos nos cabos são caros.
Ao ligar, deixa o motor a trabalhar parado durante um minuto antes de sair, para o óleo circular. E nos primeiros quilómetros trava com alguma antecedência: a ferrugem superficial que se forma nos discos quando o carro está parado desaparece após algumas travagens, mas até lá a resposta pode ser diferente da habitual.
Vinte minutos antes de partires poupam-te uma boleia de reboque no dia em que já vinhas cansado da viagem.
Fonte: Zero Zero






