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A biometria facial está a ganhar cada vez mais importância na segurança digital. Depois das palavras-passe, dos códigos SMS e das chaves de acesso (passkeys), começa agora a surgir uma nova tendência: utilizar um vídeo-selfie para comprovar a identidade e recuperar o acesso a contas online. Mas... será uma boa ideia?
Assim à primeita vista, a ideia parece prática e segura, mas especialistas alertam para um problema difícil de resolver: uma palavra-passe pode ser alterada, mas um rosto não.
O tema ganhou força depois de a baseado num pequeno vídeo-selfie. Caso o utilizador perca o acesso ao smartphone ou se esqueça da palavra-passe, basta gravar um curto vídeo, movendo a cabeça em diferentes direções, para confirmar a identidade e recuperar a conta. A empresa garante que toda a informação biométrica é encriptada e utilizada apenas para esse fim.
A Google não está sozinha. Empresas como a Meta, TikTok, Roblox e Discord têm vindo a recorrer cada vez mais ao reconhecimento facial para verificar utilizadores, recuperar contas ou confirmar a idade dos utilizadores.
A principal diferença entre uma palavra-passe e uma característica biométrica é simples. Se uma palavra-passe for roubada, basta criar outra. Se o modelo biométrico do rosto for comprometido, não existe forma de o substituir.
É precisamente esta característica que preocupa especialistas em privacidade. Um vídeo-selfie contém muito mais informação do que uma simples fotografia, incluindo diferentes ângulos do rosto, movimentos, profundidade e expressões faciais, permitindo criar um modelo biométrico bastante completo. Caso esses dados sejam expostos ou utilizados de forma indevida, o utilizador poderá nunca conseguir “trocar de rosto”.
A utilização do reconhecimento facial não é isenta de polémica. A Meta chegou a remover o sistema de reconhecimento facial do Facebook em 2021, eliminando mais de mil milhões de modelos faciais após forte pressão de reguladores.
Contudo, voltou a recorrer à tecnologia para ajudar na recuperação de contas comprometidas. Segundo a empresa, a nova solução melhorou significativamente a taxa de recuperação de contas pirateadas. Também outras plataformas enfrentaram dificuldades.
A Discord adiou a implementação do sistema de verificação facial após críticas relacionadas com privacidade e depois de um incidente de segurança que expôs documentos de identificação de utilizadores. Pouco depois, investigadores e utilizadores demonstraram que alguns sistemas podiam ser enganados através de avatares 3D.
A crescente pressão para impedir o acesso de menores a determinados serviços está igualmente a impulsionar a utilização da biometria facial.
Plataformas como Roblox e TikTok recorrem já à análise facial para estimar a idade dos utilizadores, podendo solicitar documentos oficiais quando o sistema não tem confiança suficiente na estimativa efetuada.
No entanto, este tipo de soluções implica frequentemente o envio dos dados biométricos para empresas especializadas, aumentando o número de entidades que passam a ter acesso a informação extremamente sensível.
O avanço da inteligência artificial trouxe outro problema: os deepfakes.
À medida que as tecnologias capazes de criar vídeos e rostos artificiais evoluem, aumenta também a necessidade de sistemas biométricos mais sofisticados para distinguir pessoas reais de imagens ou vídeos gerados por IA.
Paradoxalmente, isso leva à recolha de ainda mais dados biométricos, criando um equilíbrio delicado entre segurança e privacidade.
A recuperação de contas através de vídeo-selfie poderá tornar-se uma ferramenta extremamente útil para milhões de utilizadores. Contudo, a adoção crescente da biometria facial também levanta uma questão importante: até que ponto estamos dispostos a entregar uma das poucas características verdadeiramente únicas e permanentes que possuímos?
A tecnologia promete maior segurança, mas também exige um nível de confiança elevado nas empresas responsáveis por armazenar e proteger esses dados. Afinal, uma palavra-passe pode ser alterada em poucos segundos. Um rosto acompanhar-nos-á para toda a vida.
Fonte: Pplware






