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Índia recusa aderir ao maior acordo comercial do mundo e acusa a China de práticas comerciais “opacas”

O Ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, reiterou recentemente que o país não aderirá à Parceria Económica Regional Abrangente (RCEP), alegando que o acordo não é do interesse da nação, particularmente em relação à agricultura e às pequenas e médias empresas. A declaração foi feita numa entrevista à CNBC em 22 de Setembro de 2024, reforçando a decisão da Índia de 2019 de não participar naquele que é considerado o maior acordo de comércio livre do mundo.

O RCEP, assinado em 2020 por 15 países da Ásia-Pacífico e em vigor desde Janeiro de 2022, engloba 30% do PIB global e inclui membros como China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, juntamente com os 10 países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A Índia retirou-se das negociações em 2019, após expressar preocupações sobre a abertura excessiva do seu mercado a produtos chineses baratos.

Crítica às práticas comerciais da China

Goyal sublinhou que o RCEP se configurava, na prática, como um acordo comercial amplamente dominado pela China, País que, segundo ele, utiliza práticas comerciais “opacas” e contrárias aos interesses da Índia. O Ministro acusou a China de explorar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) para inundar mercados globais com produtos a preços muito baixos, prejudicando a competitividade de outras economias. 

“O RCEP não era do interesse dos nossos agricultores nem das pequenas e médias empresas. Além disso, não passava de um acordo de livre comércio com a China, um país com práticas comerciais pouco transparentes”, afirmou o Ministro. Ele acrescentou que o sistema político e económico chinês é muito diferente daquele que prevalece nas economias democráticas, tornando difícil competir em condições de igualdade.

A Estratégia indiana para os semicondutores

Goyal aproveitou a ocasião para destacar os esforços da Índia em se tornar um polo regional na produção de semicondutores. O Governo indiano está a criar um ecossistema para atrair empresas estrangeiras interessadas em diversificar as suas cadeias de abastecimento, numa estratégia conhecida como “China Plus One”, que visa reduzir a dependência exclusiva da China.

Actualmente, a Índia tem quatro fábricas de semicondutores em desenvolvimento, incluindo uma parceria entre a Tata Electronics e a Powerchip Semiconductor Manufacturing Corp. de Taiwan, localizada no estado de Gujarat. Espera-se que a primeira produção de semicondutores seja lançada até ao final de 2025 ou início de 2026.

O Ministro também mencionou que a Índia espera que a procura por semicondutores atinja 100 mil milhões de dólares até 2030, e sublinhou que o país está a avançar de forma significativa para se tornar um centro de produção de chips a nível mundial. Em 2021, o governo aprovou um programa de incentivos de 10 mil milhões de dólares para apoiar o setor, que está aberto a empresas estrangeiras.

Impacto geopolítico e económico

A recusa da Índia em aderir ao RCEP revela uma estratégia clara de protecção da sua indústria interna, ao mesmo tempo que reduz a dependência de importações chinesas. Além disso, o País está a consolidar o seu papel como um futuro centro tecnológico, posicionando-se como uma alternativa segura para empresas globais que buscam diversificar as suas operações fora da China e de Taiwan.

Ao reforçar a sua capacidade de produção de semicondutores, a Índia espera atrair um maior número de investimentos estrangeiros, criando uma base sólida para competir com potências como Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Fonte: O Económico

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