O Kosovo caminha para novas eleições legislativas, as quartas desde fevereiro de 2025, depois de o primeiro-ministro em funções, Albin Kurti, não ter conseguido reunir no sábado os 80 votos necessários para eleger o presidente do Parlamento.
A sessão terminou num ambiente de grande tensão depois de Kurti ter pedido mais tempo para negociar com as diferentes forças políticas, apesar de já ter expirado na sexta-feira o prazo de 30 dias estabelecido para constituir a Câmara.
Em protesto, uma deputada da oposição atirou vários ovos contra o primeiro-ministro, o que obrigou à suspensão da sessão em meio a gritos e confrontos físicos, informou o diário Koha Ditore.
O partido de Kurti, Vetëvendosje, venceu as eleições antecipadas de 7 de junho passado com 53 deputados.
Embora possa alcançar os 61 lugares necessários para formar Governo com o apoio de deputados das minorias nacionais, não dispõe dos 80 votos exigidos para viabilizar a eleição da presidência do Parlamento.
Se a Câmara não conseguir constituir-se, a Constituição do Kosovo prevê a convocação de novas eleições.
Um cenário semelhante já ocorreu após as eleições de fevereiro e dezembro de 2025, vencidas por Kurti, embora sem que este tivesse alcançado uma maioria suficiente para desbloquear as instituições.
Os principais partidos da oposição, PDK, LDK e AAK, recusam facilitar a eleição do presidente do Parlamento.
A oposição acusou o primeiro-ministro de “irresponsabilidade” e classificou a sessão como uma “vergonha”.
O Vetëvendosje, por sua vez, acusou os partidos da oposição de colaborarem com a Lista Sérvia, principal força política da minoria sérvia, para bloquear as instituições do Kosovo.
A crise política surge num momento delicado para o Kosovo, cuja independência, proclamada em 2008, continua a não ser reconhecida pela Sérvia e por vários países europeus, entre os quais Espanha, além de grandes potências como a Rússia e a China.
A normalização das relações entre Pristina e Belgrado continua a ser uma das condições da União Europeia (UE) para avançar rumo a uma eventual integração de ambos os países.
Fonte: TVI






