InícioRevistaTecnologiaLíder da NOS dispara para todo o lado. Não é curioso?

Líder da NOS dispara para todo o lado. Não é curioso?

Isto é um terramoto no futebol? – O mais recente lavar de roupa suja vindo do topo da NOS começa a soar… A estranho. Miguel Almeida, o líder da operadora, decidiu começar a disparar em todas as direções, o que possivelmente deverá abrir os olhos a muito boa gente menos atenta.

Já falou sobre o buraco financeiro da SportTV, da concorrência da LiveMode e DIGI, e agora, até atacou a ANACOM sem grandes papas na língua. Curiosamente, também admitiu despedimentos se o mercado não se consolidar

O porquê de tudo isto? Na minha opinião (que vale o que vale), a indústria das telecomunicações em Portugal habituou-se a margens gordas durante anos, mas o cenário mudou radicalmente nos últimos tempos. O sinal de alarme soou com os resultados semestrais da operadora: os lucros subiram, é verdade, mas as receitas diretas do serviço de telecomunicações começaram a cair.

De facto, as críticas da NOS ao regulador já não são novidade, mas subiram brutalmente de tom. Miguel Almeida acusou a ANACOM de ser uma estrutura “politizada”, “vazia de ideias” e “refém de critérios ideológicos” em vez de técnicos.

Na ótica da operadora, Portugal está a caminhar exatamente no sentido oposto ao resto do mundo ao dificultar a fusão e consolidação entre empresas do setor. O aviso foi… Curioso! Ou seja, se o número de operadoras não diminuir rapidamente para garantir a rentabilidade, o corte de trabalhadores vai ter de avançar para manter a empresa à tona.

E a lavar de mãos não ficou por aqui! Confrontado com as falhas constantes no SIRESP )a rede de comunicações de emergência do Estado onde a NOS fornece serviços), o CEO descartou qualquer culpa pela arquitetura do sistema e fechou a porta a sete chaves: quando o contrato atual acabar em 2027, a NOS não quer “ter mais nada a ver com isso”.

Onde a ferida dói mais é mesmo no negócio do futebol.

O líder da NOS não teve problemas em admitir abertamente o que toda a gente já desconfiava. Ou seja, a Sport TV (da qual a NOS detém 25%) transformou-se num verdadeiro buraco financeiro. Apesar de ter desdramatizado a entrada em cena de projetos como a LiveMode TV no YouTube, criticou a assimetria brutal nas regras entre os canais de televisão tradicionais e estas novas plataformas digitais.

Assim, com a centralização dos direitos televisivos da Liga Portuguesa no horizonte e apesar do recente cheque milionário de 114 milhões de euros para manter o Benfica até 2028. A mensagem final foi clara… A NOS quer sair do negócio dos conteúdos desportivos o mais depressa possível. O modelo antigo baseado em subscrições caríssimas para ver 90 minutos de bola está a ruir. Onde claro está, a pirataria também não ajuda.

E agora? Para onde vai o mercado? Há solução? Eu diria que sim, mas isso significaria “partir a roda”, de forma a oferecer um serviço de maior qualidade, e mais acessível, aos consumidores. Algo que muito provavelmente não é do agrado de quem investe.

 

Fonte: Zero Zero

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