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Martínez cometeu novo crime e quase chumbava. Se precisas de golos, chama o Ramos (as notas dos jogadores de Portugal)

Resumo

Diogo Costa destacou-se com defesas cruciais, enquanto João Cancelo teve um jogo menos conseguido. Rúben Dias liderou a defesa de Portugal, apesar de um cartão amarelo. Renato Veiga mostrou eficácia no jogo aéreo, mas continua a falhar na finalização. Nuno Mendes brilhou com cruzamentos precisos e passes decisivos. Vitinha foi recuado para ajudar na construção, mas a estratégia afetou a presença ofensiva da equipa.

Diogo Costa - 8

Diogo Costa voltou a ser um pilar de segurança atrás de uma defesa que ocasionalmente oscila. O guarda-redes esteve em particular destaque aos 75’, quando Kovačić rematou e uma defesa milagrosa enviou a bola ao poste, e ainda tentou uma segunda vez violar as redes nacionais. Dois minutos depois, lá estava o Diogo outra vez a dar o peito ao tiro à queima-roupa de Matanović. Ainda assim, houve alguém que tentou que esta nota de Diogo Costa fosse mais alta. Foi Roberto Martínez, mas já lá vamos.

João Cancelo - 5

Até ao momento, foi o jogo menos conseguido de Cancelo neste Mundial 2026. As clássicas arrancadas foram escassas, a defender não esteve tão sólido como usual, mas não cometeu nenhum erro maior. Fica a saudade da irreverência do menino do Barreiro. Cancelo acabou por sair, aos 63', para a entrada de Nélson Semedo.

Rúben Dias - 7

Esta nota de Rúben Dias foi inflacionada pelo que fez nos minutos finais, sobretudo, após o 2-2 da Croácia que acabou por ser anulado por fora de jogo. O central do Man. City foi o líder que Portugal precisava perante a ausência de Cristiano Ronaldo em campo. No plano técnico, há a apontar o cartão amarelo, ao minuto 17, depois de ter colocado o braço na cara de Budimir. De resto, demonstrou a compostura necessária para comandar uma defesa que, por vezes, ainda parece demasiado verde.

Renato Veiga - 6

Torna-se a cada jogo mais notório que o forte de Renato Veiga não é sair a jogar. Por outro lado, no jogo aéreo é um dos defesas mais eficazes que já passaram pela Seleção nacional, mas continua incapaz de acertar numa baliza contrária. Na resposta a três cantos de Nuno Mendes ganhou nas alturas e atirou por cima aos aos 16'; não ganhou nas alturas, mas conquistou o penálti aos 66'; e, aos 86', ganhou nas alturas, mas voltou a não acertar no alvo.

Nuno Mendes - 8

Afinal só precisava de uma semana de descanso, Nuno Mendes voltou a ser o menino feliz dos vaivéns na ala esquerda, mas parece que aprendeu um novo poder: transformar cantos em mísseis milimetricamente irrepreensíveis e quase teleguiados - como devem ser, visto que o mínimo desvio pode acabar em golo. Em termos de momentos de destaque, ao quarto minuto, o lateral desmarca Rafael Leão com um passe fenomenal, num lance que podia ter dado golo; aos 21' fez um cruzamento perigoso para Pedro Neto; e, no primeiro minuto da segunda parte, Nuno Mendes esteve a escassos metros da baliza apenas com o guarda-redes pela frente, mas optou por passar para Cristiano Ronaldo, a quem a bola nunca chegou e ficou também de mãos na cabeça perante a decisão do colega.

Vitinha - 7

Vitinha passou a ser o defesa-central mais tecnicamente evoluído que algum dia existiu. Face à incapacidade de construção dos centrais titulares de Portugal, a estratégia de Martínez passou por fazer recuar Vitinha para o meio de Rúben Dias e Renato Veiga nos momentos de ataque, o problema deste plano é que deixa de haver Vitinha mais à frente, o que faz com que João Neves desça no terreno, arrasta Bruno Fernandes e Portugal fica mais longe do ataque e do golo. Esta sexta-feira, o médio do PSG falhou cinco passes em 75, uma eficácia de 93%, mas hoje esta estatística não foi o ex-libris exibicional, porque, ao minuto 50, Vitinha encarnou Ronaldinho Gaúcho e fez dois chapéus consecutivos a adversários sem a bola tocar sequer na relva - acabou travado em falta. Foi um lance inconsequente, mas para todos os nascidos nos anos 90 foi bom recordar o lance daquele jogo entre Barcelona e Athletic Bilbao de 2004. Saiu aos 63' para entrar Bernardo Silva e Portugal ressentiu-se.

João Neves - 6

João Neves foi menos influente do que aquilo a que nos vem habituando. Ainda assim, teve uma exibição sólida e voltou a ser o yin do yang de Vitinha. Apareceu menos no ataque, mas voltou a ser fulcral para a sustentação do ponto forte da Seleção, que é o meio-campo.

Bruno Fernandes - 6

O médio do Man. United foi um dos mais inconformados durante a primeira parte, mas, tal como aconteceu contra a Colômbia, voltou a ser incapaz de definir lances capitais da melhor forma. Ao minuto 4 voltou a estar cara a cara com um guarda-redes adversário bem perto da baliza e voltou a acertar-lhe em cheio. Aos 32' Bruno Fernandes tem outra jogada que podia ter acabado em golo com dois remates consecutivos, mas em pior ângulo. Abandonou o relvado aos 63' para entrada de Gonçalo Ramos

Pedro Neto - 5

A exibição de Pedro Neto destacou-se pelo cruzamento para Cristiano Ronaldo ao minuto 8 e, aos 29', um outro centro para o ponta de lança, que parecia ter tudo para inaugurar o marcador, mas chegou atrasado. Contudo, o extremo do Chelsea voltou a não ter um impacto relevante na partida. Saiu aos 63' para a entrada de Francisco Conceição.

Rafael Leão - 7

Rafael Leão é capaz do melhor e do menos bom em questão de minutos, sendo que continua a não dar qualquer garantia defensiva, como se pôde ver na falta de acompanhamento a Stanišić no golo da Croácia. O extremo do AC Milan começa com uma bela arrancada e um passe brilhante para o centro da área que deixou Bruno Fernandes na cara do golo ao minuto 4; aos 6' voltou a acelerar e cruzou para Bruno Fernandes. Ainda na primeira parte tem um remate após um ressalto que foi para a nuvens, mas, aos 57' é o autor de uma obra-prima de remate em arco que só foi parado pela barra croata. Apesar de tudo, trouxe um precioso dinamismo ao ataque nacional e ainda fez o excecional cruzamento para o golo da vitória.

Cristiano Ronaldo - 6

O momento alto de Cristiano Ronaldo foi o golo, ao minuto 60, após uma receção de excelência e uma finalização impecável; o problema é que o lance acabou por ser anulado por um fora de jogo de escassos centímetros. Minutos depois, Cristiano teve a oportunide de se redimir da marca dos 11 metros e aproveitou para afugentar os demónios do Euro 2024, depois do penálti falhado frente a Oblak, da Eslovénia, num jogo que acabou por ir a penáltis e Diogo Costa brilhou ao defender todas as grandes penalidades. Saiu ao minuto 81 para a entrada de Rúben Neves e não gostou, mas Martínez não tinha qualquer alternativa, uma vez que já tinha colocado Gonçalo Ramos em campo e Portugal começou a perder o meio-campo.

Nélson Semedo - 5

Com a saída de Cancelo e entrada de Nélson Semedo a defesa de Portugal ficou mais instável. Pode ter sido apenas uma coincidência perante o ascendente croata após o golo de Portugal, dado que Semedo não teve nenhum erro grave ou flagrante.

Bernardo Silva - 6

Bernardo Silva fez a sua melhor exibição deste Mundial. Talvez porque entrou para o meio-campo e não para extremo-direito, posição que há largos anos já não é bem aquela em que tem maior rendimento. No lugar de Vitinha, esteve estável na construção, apesar de a equipa ter começado a perder o meio-campo desde que Martínez decidiu retirar Vitinha e Bruno Fernandes de um assentada, mas já lá vamos.

Francisco Conceição - 5

Francisco Conceição disse há dias que não queria ser conhecido como "espalha-brasas" e parece estar empenhado em fazer esquecer a alcunha. A irreverência, o ir para cima do adversário e a ideia que criava de que podia fintar Van Dijk, Rio Ferdinand e Maldini de uma assentada esta madrugada não chegaram a Toronto. Fica ainda uma nota para o passe a queimar de Chico Conceição para Nuno Mendes, aos 90+7', que poderia ter sido uma daquelas asneiras de um país se lembrar 20 anos depois.

Gonçalo Ramos - 8

O ponta de lança do PSG tem de ser visto como o homem do jogo. Colocou Portugal nos oitavos de final com um cabeceamento certeiro, depois de ganhar no jogo aéreo no meio de Kovacic e Gvardiol. Houve festa, euforia e um abraço sentido a Cristiano Ronaldo. Fez o que um ponta de lança deve fazer e que Portugal tantas vezes parece precisar. No fim do jogo, avisou Martínez: "Sempre que precisam do golo eu estou lá. Já não a primeira, a segunda ou terceira vez. Sempre que precisarem é só chamar, eu estou lá".

Rúben Neves - 6

Rúben Neves salvou Martínez. O camisola 21 - herdada do amigo Diogo Jota que morreu há precisamente um ano - entrou ao minuto 81 para o lugar de Cristiano Ronaldo. O capitão fez cara feia ao ver a placa, mas a verdade parece mesmo ter sido que o selecionador português não tinha qualquer outra hipótese, porque tinha feito asneira anteriormente, mas já lá vamos. Rúben Neves trouxe segurança e ajudou a estancar o ascendente croata no meio-campo.

Martínez - 5

Comecemos pelo positivo: Martínez percebeu que separar a dupla Vitinha/João Neves é criminoso e não tem medo de fazer substituições. Contudo, fazer quatro substituições de rajada e optar por retirar de campo Vitinha e Bruno Fernandes de uma só vez é difícil de explicar a qualquer pessoa que perceba que para a bola chegar de Diogo Costa a Cristiano Ronaldo é preciso passar-se pelo meio do campo também.

O selecionador nacional achou que a melhor estratégia seria Portugal ficar com um fisicamente poderoso meio-campo composto por João Neves e Bernardo Silva: de acordo com o Zerozero, Neves tem um 1,74 m e 68 quilos; enquanto Bernardo tem 1,73 m e 65 quilos. O resultado sentiu-se quase de imediato. Portugal começou pouco a pouco a recuar no terreno e a bola a aproximar-se da baliza de Diogo Costa. Perante isto, a solução era óbvia: meter mais um médio, que acabou por ser Rúben Neves, e, com Ramos já em campo e Portugal a vencer, o único sacrificado possível era Cristiano Ronaldo. Martínez ficou agora nos sapatos de Fernando Santos do Mundial de 2022, quando decidiu deixar Cristiano Ronaldo no banco e o ponta de lança do PSG, à primeira oportunidade, fez um hat-trick na goleada por 6-1 frente à Suíça, nos oitavos de final.

A nota positiva vale, em grande parte, por esta coragem, mas voltou a reagir mais do que a agir.

A verdade é que não ter medo de mexer, por si só, de pouco ou nada vale, se as mexidas são previsíveis, expectáveis e o resultado é que a equipa fica a jogar pior. Por falar em mexidas, que não se esqueça as palavras de Gonçalo Ramos: "Se precisam de golo, é só chamar".

Fonte: CNN Portugal

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