Resumo
O diretor clínico do FC Porto, Nelson Puga, testemunhou em tribunal que Iker Casillas poderia ter regressado à competição um ano após o enfarte, sem sequelas funcionais. Puga afirmou que Casillas tinha baixo risco de reincidência se seguisse a medicação. O cardiologista Luís Macedo também testemunhou, referindo que a rápida intervenção limitou danos no coração de Casillas. O antigo guarda-redes pretende que o enfarte seja reconhecido como acidente de trabalho, exigindo compensações da seguradora e do clube. O julgamento continua a 7 de julho.
«A 2 de maio de 2020 podia ter voltado à competição de alto nível. Disso não tenho a mais pequena dúvida. Não há trabalhos científicos que permitam dizer que foi o treino que provocou o enfarte», referiu.
Questionado sobre os exames realizados ao jogador, Nelson Puga explicou que nunca foi detetada qualquer doença coronária, apesar de Casillas ter apresentado um ligeiro aumento do colesterol, insuficiente para justificar exames cardíacos mais específicos.
O médico disse ainda que o jogador apenas lhe relatou posteriormente ter sentido dores na véspera e admitiu, perante a juíza, que a decisão de não regressar aos relvados resultou, na sua perspetiva, da perda de motivação do jogador e da falta de interesse de ambas as partes em renovar contrato.
Também ouvido esta tarde, o cardiologista Luís Macedo, que acompanhou Casillas após o enfarte, afirmou que a rapidez da intervenção permitiu limitar os danos no músculo cardíaco. Por isso, alegou o cardiologista, Casillas recuperou a capacidade funcional, nunca apresentou arritmias nos exames de seguimento e manteve uma função cardíaca preservada.
De recordar que Iker Casillas pretende que o enfarte agudo do miocárdio sofrido durante um treino do FC Porto, em maio de 2019, seja reconhecido como acidente de trabalho. Na ação, reclama da seguradora Fidelidade o pagamento de 750.821,91 euros por incapacidade temporária absoluta e de 1.521.780,82 euros por incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual. Em simultâneo, o antigo guarda-redes exige a condenação do FC Porto no pagamento da parte das indemnizações não cobertas pelo seguro, além de futuras despesas médicas.
O julgamento prossegue a 7 de julho.
Fonte: CNN Portugal



