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Ministro da Educação diz que “não há ninguém para despedir”. “Aliás há muita gente para ser premiada neste processo”

O ministro da Educação, Ciência e Inovação (MECI), Fernando Alexandre, garantiu, esta sexta-feira à tarde, que todas as reapreciações vão ser entregues nas escolas ainda durante a tarde. Num email enviado aos diretores, na quinta-feira, o ministério dizia que as reapreciações da primeira fase seriam entregues na manhã desta sexta-feira para serem afixadas à tarde. Começaram a chegar às escolas ao início da tarde e de forma faseada como o próprio ministro confirmou aos jornalistas, pouco antes das 17:00, depois de presidir à cerimónia de tomada de posse dos órgãos gestão da recém-criada Universidade de Leiria e Oeste.

“Haverá um caso ou outro residual, que precisa de ser ainda verificado, porque são casos às vezes muito específicos. Mas estão a ser distribuídas desde as 13:00 a todas as escolas. O Algarve, a essa hora, já estava completo. O Centro, às 14:00, já estava completo. E, por isso, hoje serão todas distribuídas”, reforçou Fernando Alexandre. 

As últimas reapreciações chegaram já depois das 19:00.

O ministro voltou a reconhecer que houve falhas na primeira fase e diz mesmo que “o último mês e meio não foi fácil”. “As falhas existem em qualquer trabalho. É preciso ter noção da complexidade daquilo que nós estamos a fazer. Eu sei que quando ninguém muda nada e não faz nada, não falha”, disse.

Questionado pelos jornalistas se tinha demitido alguém, o ministro respondeu: "Nós arriscamos falhar e trabalhámos em equipa. Não há ninguém para despedir. Aliás, se quer que lhe diga, há muita gente para ser permeada neste processo”.

Para o ministro, o sistema educativo português mostrou que “consegue mudar” e “acompanhar os tempos” e voltou a garantir que nenhum aluno saiu prejudicado. Fernando Alexandre revelou ainda que o processo de digitalização das classificações dos exames nacionais do Ensino Secundário vai ser alvo de uma “avaliação” por parte do Conselho Nacional de Educação (CNE), até ao final do ano. Depois dessa avaliação e com os relatórios internos serão avaliadas as vantagens e as desvantagens do processo. “Eu acho que as vantagens são muito evidentes, mas, de qualquer maneira, nós queremos que uma avaliação independente venha a mostrar à sociedade portuguesa que aquilo que o Ministério da Educação fez com esta mudança foi, de facto, um avanço na qualidade da avaliação”, sublinhou.

Isso mesmo, solicitou numa carta de três páginas mais quatro de anexos numa carta endereçada a António Barbas Homem, que tomou posse como presidente do CNE a 28 de julho. O Governo quer que o CNE faça uma avaliação aprofundada e independente do sistema e apresente recomendações até 31 de dezembro de 2026, criando para o efeito “uma Comissão Especializada Eventual para a Avaliação Externa das Aprendizagens, assegurando uma composição plural e representativa das diferentes partes do sistema educativo e integrando personalidades com reconhecida competência científica, técnica e operacional nas matérias objeto de apreciação”.

O MECI garante que não vai interferir na metodologia, nas audições nem nas conclusões do relatório e compromete-se a disponibilizar toda a documentação necessária.

Na mesma carta, Fernando Alexandre informa o CNE que vai solicitar relatórios ao EduQA, ao Júri Nacional de Exames (JNE) e à Deloitte sobre as falhas verificadas na 1.ª fase dos exames, as soluções adotadas e as melhorias introduzidas nas fases seguintes.  Documentos serão remetidos ao CNE.

As notas da segunda fase dos exames nacionais foram afixadas esta sexta-feira de manhã. Chegaram às escolas ao final do dia, horas depois do prazo estabelecido pelo EduQA e pelo Júri Nacional de Exames (JNE) num email enviado aos diretores, ao início da tarde de quinta-feira.  No mesmo email, JNE e EduQA informava que as classificações das reapreciações só chegariam na manhã de sexta-feira, para serem afixadas durante a tarde. As notas das reapreciações chegaram às últimas escolas, na região de Lisboa e Vale do Tejo já perto das 19:00. Aparentemente, nem nos exames de segunda fase, nem nas reapreciações se registaram os problemas da primeira fase.

Os alunos que pediram reapreciação têm agora três dias para alterar a candidatura à 1.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior. Os alunos que conheceram esta sexta-feira as notas da 2.ª fase só vão poder usá-las na 2.ª fase das candidaturas ao Ensino Superior.

O processo de classificação dos exames nacionais do Ensino Secundário foi este ano, à exceção de Geometria Descritiva e Desenho, realizado pela primeira vez em formato digital. Os exames foram resolvidos em papel e posteriormente digitalizados e fragmentados para serem entregues aos professores classificadores através de uma plataforma do EduQa, o organismo do MECI responsável pela avaliação externa. O processo sofreu alguns constrangimentos, que levaram a adiamentos sucessivos de prazos. Quando foram afixadas as pautas, havia muitos alunos com notas suspensas. Quando os alunos receberam os PDF com os respetivos exames e as classificações dos mesmos, depararam-se com desconformidades nas classificações, folhas de exames em falta e até exames desaparecidos.

Os problemas levaram mesmo o ministério a criar uma época especial de exames em setembro e a adiar o início do ano letivo do Ensino Secundário uma semana mais tarde.

 

Fonte: TVI

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