Resumo
A Corporação de Desenvolvimento Industrial (IDC) da África do Sul lançou uma avaliação para a possível retoma da Mozal, fundição de alumínio em Moçambique. A consultoria especializada contratada irá analisar a viabilidade da aquisição da participação maioritária da empresa e apresentar soluções para a recuperação sustentável das operações, devido aos desafios operacionais enfrentados, como os elevados custos de energia elétrica. A IDC pretende obter uma avaliação independente sobre a aquisição das ações detidas pela multinacional australiana South32 e considera gerir a fundição em parceria com investidores estratégicos ou vender a sua própria participação. A consultoria também irá avaliar a viabilidade de retomar as operações de forma sustentável, analisar os requisitos técnicos, operacionais, financeiros e ambientais, bem como propor alternativas de fornecimento energético e identificar potenciais parceiros estratégicos. Será desenvolvido um plano de negócios para a recuperação das operações, incluindo uma avaliação detalhada do estado atual das instalações e das opções de fornecimento de matérias-primas essenciais.
A possível retoma da Mozal está no centro de uma nova avaliação lançada pela Corporação de Desenvolvimento Industrial (IDC), entidade estatal sul-africana que abriu um concurso público para contratar uma consultoria especializada, segundo noticiou a Carta de Moçambique. A empresa seleccionada deverá analisar a viabilidade da aquisição da participação maioritária da fundição de alumínio e apresentar soluções para a recuperação sustentável das operações.
A iniciativa surge numa altura em que a Mozal enfrenta sérios desafios operacionais, sobretudo relacionados com os elevados custos de fornecimento de energia eléctrica, situação que levou à suspensão das operações e à colocação da empresa em regime de manutenção e conservação há cerca de três meses.
De acordo com os documentos do concurso, a IDC pretende obter uma avaliação independente e abrangente sobre a possibilidade de adquirir os 63,7% das acções actualmente detidos pela multinacional australiana South32, accionista maioritária da Mozal. Paralelamente, a entidade sul-africana quer analisar a viabilidade de gerir a fundição em parceria com investidores estratégicos ou, em alternativa, vender a sua própria participação de 32,48% na empresa.
Além da componente accionista, a consultoria deverá determinar se a Mozal reúne condições para retomar operações de forma sustentável e se existe uma solução de fornecimento de energia eléctrica que seja simultaneamente acessível e competitiva a longo prazo.
Nesse sentido, a empresa seleccionada será encarregada de analisar os riscos, benefícios e condições comerciais associados à eventual aquisição da fundição. Caberá igualmente ao consultor avaliar os requisitos técnicos, operacionais, financeiros e ambientais necessários para reactivar a unidade industrial.
Por outro lado, a IDC pretende que sejam identificadas alternativas de fornecimento energético capazes de garantir estabilidade operacional e uma estrutura de custos sustentável. O estudo deverá ainda propor modelos adequados de gestão e operação, bem como apresentar estratégias para mitigar os riscos ligados à eventual transacção.
Entretanto, outro dos objectivos passa por identificar potenciais parceiros estratégicos que possam participar tanto na aquisição como na gestão de longo prazo da Mozal. A consultoria deverá também desenvolver um plano de negócios que demonstre a viabilidade comercial e financeira da recuperação das operações da empresa.
No âmbito dos trabalhos, será igualmente necessária uma avaliação detalhada do estado actual das instalações da fundição após o período de manutenção. A análise deverá incluir o histórico de desempenho produtivo, os registos de manutenção, os períodos de inactividade e os custos associados ao reinício das actividades.
Além disso, a empresa contratada deverá examinar as opções de fornecimento de matérias-primas essenciais, como alumina, coque e piche, identificando potenciais fornecedores e as condições de mercado aplicáveis. Também será avaliada a capacidade operacional necessária para gerir uma fundição desta dimensão, incluindo recursos humanos, sistemas de gestão e contratos com terceiros.
Segundo o cronograma definido pela IDC, o trabalho será realizado em regime acelerado, reflectindo a urgência da situação enfrentada pela Mozal. Os primeiros relatórios sobre riscos críticos deverão ser entregues quatro semanas após a adjudicação do contrato, enquanto os resultados finais são esperados aproximadamente oito semanas após o início dos trabalhos.
A movimentação da IDC acontece poucos meses depois de a Mozal ter suspendido as operações devido à falta de entendimento sobre o preço da electricidade. Enquanto a South32 defendia uma tarifa de 51 dólares por megawatt-hora (MWh), a proposta apresentada pela empresa sul-africana Eskom rondava os 100 dólares por MWh, uma diferença considerada insustentável para a continuidade da produção.
Actualmente, a Mozal necessita de cerca de 950 megawatts-hora para manter as operações em funcionamento contínuo, energia que é fornecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) através da rede da Eskom.
Como consequência da paralisação da fundição, cerca de cinco mil trabalhadores directos e indirectos perderam os seus postos de trabalho. A situação teve igualmente impacto na economia nacional, tendo em conta que a Mozal representa aproximadamente 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique.



