Resumo
O ministro da Educação afirmou que a maioria das falhas reportadas na correção dos exames nacionais é falsa e que o modelo de correção digital se mantém sem prejudicar os alunos. Apesar de admitir anomalias pontuais, o ministro garantiu que a situação está controlada e que a maioria das denúncias nas redes sociais não se confirmaram. Defendendo a eficiência do modelo digital, que permite uma correção mais objetiva, o ministro anunciou um projeto-piloto para normalizar as notas no próximo ano letivo, visando equilibrar a dificuldade das provas e tornar os resultados mais comparáveis. Assegurou ainda que nenhum aluno será prejudicado e responsabilizou os diretores pelas falhas na convocatória de professores classificadores.
“Do ponto de vista logístico, da distribuição dos exames e da digitalização, não houve nenhum percalço. Obviamente, houve um caso ou outro, mas não são erros que ponham em causa o rigor do sistema”, afirmou Fernando Alexandre.
Ouvido em audição regimental na comissão parlamentar de Educação e Ciência, o governante foi inicialmente questionado, pelo grupo parlamentar do Chega, sobre os vários problemas relatados, durante os últimos dias, no processo de correção dos exames nacionais.
Desde o atraso na atribuição das credenciais necessárias para aceder às provas, a erros na convocatória de professores classificadores ou falhas na digitalização das folhas de resposta, movimentos e sindicatos de professores têm descrito um cenário de “caos generalizado”.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, que, na segunda-feira, garantiu que a correção dos exames nacionais continua a decorrer “dentro dos prazos previstos”, afirmou hoje que muitas das situações denunciadas nas redes sociais não se verificam.
“Pedimos sempre ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e ao Júri Nacional de Exames (JNE) que estejam atentos a todas as comunicações que são feitas, para verificar se são verdadeiras ou falsas. A maioria é falsa”, disse, em resposta aos deputados.
Admitindo a existência de anomalias pontuais, “que depois são corrigidas”, Fernando Alexandre disse que a tutela chegou a ponderar recuar na implementação do modelo de correção digital, alargado este ano a todas as disciplinas, depois de testado, no ano passado, com a prova de Filosofia.
“O EduQA reiterou que está confiante que vai conseguir garantir a correção digital”, acrescentando que, para a tutela, o rigor e a transparência da avaliação “sobrepõem-se a tudo”.
O governante assegurou ainda que nenhum aluno será prejudicado “por qualquer processo de avaliação”.
Quanto aos erros relatados na convocatória dos professores classificadores – segundo sindicatos e movimentos de professores, foram convocados professores de outras disciplinas, aposentados e até falecidos – Fernando Alexandre reiterou que “quem convoca são os diretores”.
“Se convocam erradamente, então é uma responsabilidade dos diretores”, afirmou o ministro, rejeitando, por outro lado, acusações de desresponsabilização, depois de a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas ter apontado, na segunda-feira, uma aparente transferência de responsabilidades por parte da tutela.
Ainda assim, segundo o ministro, também nestes casos a esmagadora maioria das situações relatadas acabou por não se confirmar, após averiguação do EduQA.
Na sua intervenção inicial, Fernando Alexandre defendeu o modelo de classificação digital, argumentando que permitirá tornar o processo mais eficiente, uma vez que “no lugar de corrigir 40 exames iguais, cada professor vai corrigir 200 vezes a mesma pergunta” de exames diferentes.
“E esse é um ponto muito importante, porque quando nós temos um professor a corrigir apenas uma parte do exame, reduzimos o viés que a correção individual introduz e, por isso, vamos garantir mais rigor, mais objetividade na avaliação e este é mais um avanço do sistema”, disse.
A propósito dos exames nacionais, o ministro adiantou ainda que, no próximo ano letivo, será implementado um projeto-piloto de normalização das notas, com o objetivo de corrigir diferenças de dificuldade entre anos, tornando comparáveis os resultados e reduzindo o efeito de variações na dificuldade das provas.
Fonte: TVI


