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NASA lançou missão para salvar um telescópio antes que caia sobre a Terra

Imagina teres um equipamento científico avaliado em centenas de milhões de euros a cair, lentamente mas sem escapatória, em direção à atmosfera terrestre. Foi exatamente esse o cenário que levou a NASA a lançar, esta quinta-feira, uma missão inédita de resgate espacial. Na prática a Missão da NASA quer evitar que o telescópio caia sobre a terra.

A missão descolou às 5h09 (hora do leste dos EUA) desta quinta-feira, 2 de julho, a partir das Ilhas Marshall, transportando uma nave equipada com braço robótico chamada Link. A nave foi lançada a bordo de um avião Lockheed Martin L-1011 modificado e, já no ar, um foguetão Northrop Grumman Pegasus XL colocou a Link em órbita. O destino final é o encontro com o Observatório Swift da NASA. Trata-se de um telescópio de raios gama que tem vindo a perder altitude gradualmente e caminha para uma queda destrutiva na atmosfera terrestre.

O Swift foi lançado em 2004 e continua a ser cientificamente relevante. No entanto está a perder altitude rapidamente devido ao arrasto natural da atmosfera terrestre. Sem intervenção, os cientistas estimam que o telescópio deverá cair ainda este ano.

Para se ter uma ideia do investimento em causa: o Swift custou 250 milhões de dólares em 2004, o equivalente a cerca de 450 milhões de dólares atuais já com inflação incluída, um valor relativamente baixo quando comparado com os 10 mil milhões de dólares do telescópio espacial James Webb.

Ao longo de mais de 20 anos de atividade, o Swift tem sido essencial para observar explosões de raios gama, fenómenos cósmicos que ocorrem quando uma estrela massiva colapsa e dá origem a um buraco negro. Isto para além de detetar erupções de raios-X, explosões de supernovas e objetos transitórios como cometas e asteroides.

A nave Link chegou pelas mãos da empresa privada Katalyst Space, com um investimento de 30 milhões de dólares. O plano é a Link encontrar-se com o Swift e, usando os seus braços robóticos e sistema de propulsão, elevar o telescópio para uma órbita mais alta e segura.

Segundo Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA, esta é uma missão de alto risco. No entanto também de grande potencial, sai mais barata do que construir um substituto para o Swift. Para além disso ainda ajuda a NASA a desenvolver a indústria de manutenção de satélites em órbita, algo que pode beneficiar futuras missões espaciais.

O desafio não é pequeno: o Swift nunca se concebeu para receber manutenção em órbita, o que complicou bastante o planeamento logístico da missão. Além disso, a NASA só atribuiu o contrato à Katalyst em setembro, depois de um período de elevada atividade solar ter dilatado a atmosfera terrestre e acelerado inesperadamente a queda do telescópio. Isto obrigou a equipa a preparar toda a missão em menos de um ano, um prazo muito apertado para os padrões habituais de design, construção e testes de equipamento espacial.

Para ganhar mais tempo, a equipa de operações da Penn State’s Eberly College of Science fez alterações ao funcionamento do Swift. Como tal reduziu a atividade científica do telescópio, que agora só observa alvos quando está numa posição mais aerodinâmica, e diminuiu o consumo de energia para permitir que os painéis solares fiquem numa orientação que reduz o arrasto atmosférico. Estas mudanças devem permitir que o Swift se mantenha acima da altitude mínima de resgate (cerca de 298 km) até ao outono.

Depois de alguns testes de sistemas, a Link vai demorar cerca de um mês a chegar junto do Swift. Nessa altura, vai aproximar-se do telescópio, avaliar as suas condições e usar os braços robóticos para se prender ao observatório. De seguida, usará o seu sistema de propulsão para elevar gradualmente a órbita do Swift para cerca de 595 km de altitude. Bem acima da órbita da Estação Espacial Internacional, que orbita a cerca de 400 km da Terra.

A NASA não revelou quanto tempo mais o Swift poderá continuar a fazer observações científicas depois de atingir a nova altitude. Ainda assim, dados da Agência Espacial Europeia sugerem que satélites a cerca de 500 km de altitude só reentram na atmosfera ao fim de aproximadamente 25 anos. Isto significa que, se os instrumentos do Swift aguentarem, os cientistas podem ainda ter muitos anos de observações pela frente.

 

Fonte: Zero Zero

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