Resumo
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê uma onda de calor em Portugal, com duração de oito a 10 dias, afetando quase todo o país, exceto algumas áreas costeiras. Em 2026, foram registados 59 dias de onda de calor, sendo que o verão é o período mais crítico. O IPMA destaca a onda de calor de 2003 como a mais impactante, com temperaturas extremas. A situação atual resulta da ação de um anticiclone e de uma depressão em África, trazendo ar quente e seco. As temperaturas podem atingir entre 35 e 44 graus, com mínimas acima dos 20°C. Distritos como Évora, Beja e Portalegre estão sob aviso laranja. A vaga de calor na Europa já causou mais de 1.300 mortes, levando a OMS a pedir medidas de prevenção. Em Portugal, há preocupações com a mortalidade e o risco de afogamento devido ao calor. O perigo de incêndio é máximo em vários concelhos.
A exceção serão alguns locais na zona litoral oeste e sul.
“Em relação às ondas ocorridas em 2026, podemos destacar a duração máxima de 14 dias, na onda ocorrida em março, e de 13 nas ondas de calor de abril, maio e junho”, indicou o IPMA, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa sobre o histórico destes fenómenos.
Desde o início do ano, a equipa do IPMA estima que tenham ocorrido 59 dias em onda de calor, sendo que em 2023 foram registados 80 dias em onda de calor e em 2024 os dados apontam para 74 dias. Porém, é no período estival que o impacto é mais sentido.
A onda calor “mais impactante” em Portugal continental no período do verão foi a registada em julho/agosto de 2003, “não só pela sua extensão espacial como temporal”, tendo sido batidos vários recordes de temperatura do ar, que ainda hoje se mantém, sublinhou o IPMA.
Naquele ano, registaram-se 47,3 graus centígrados na Amareleja, concelho de Moura (Alentejo).
Nos registos do IPMA, constam igualmente oito ondas de calor em 2024 e sete ondas de calor, com diferente extensão territorial no continente, nos seguintes anos: 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.
A situação que está a afetar Portugal tem origem “numa ação conjunta” de um anticiclone centrado a noroeste da Península Ibérica, a estender-se em crista até às ilhas Britânicas, e de uma depressão no norte de África que, “na sua circulação conjunta”, transportam ar muito quente e seco do norte de África até ao território continental.
“Salienta-se que além dos valores muito elevados de temperatura máxima, que irão atingir entre 35 e 44 graus na generalidade do território, durante a noite as temperaturas mínimas não descerão dos 20°C, podendo mesmo situar-se entre 25 e 28°C em algumas regiões”, incluindo a Grande Lisboa, especificou o IPMA.
“A excecionalidade deste episódio de tempo quente está essencialmente na sua duração temporal bastante prolongada”, de acordo com o Instituto.
Os distritos de Évora, Beja e Portalegre vão estar a partir de quarta-feira sob aviso laranja por causa do calor, que se estende na quinta-feira a outras regiões.
A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto vários países da Europa Central e Oriental enfrentam temperaturas recorde.
A OMS apelou aos países europeus para reforçarem os planos de prevenção e resposta às temperaturas extremas, sublinhando a necessidade de integrar estas medidas nas estratégias de adaptação às alterações climáticas.
Em Portugal, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países.
A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, por seu lado, alertou para o aumento do risco de afogamento nos próximos dias, devido à subida prevista das temperaturas e apelou às autoridades para incluírem este risco nas mensagens de aviso à população.
Quase 20 concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro enfrentam hoje um perigo de incêndio máximo e todos os distritos do interior têm concelhos em perigo muito elevado.
Fonte: TVI





