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Petróleo sobe em resposta a tensões geopolíticas na Europa e no Médio Oriente

Resumo

Os preços do petróleo subiram ligeiramente devido às tensões geopolíticas na Europa e no Médio Oriente, com o Brent a atingir 67,07 dólares por barril e o WTI a 63,02 dólares. Incidentes militares entre a Rússia e a NATO contribuíram para esta subida, incluindo violações de espaço aéreo e bombardeamentos russos próximos da fronteira ucraniana. O reconhecimento da Palestina por países ocidentais gerou tensões com Israel, aumentando as preocupações sobre a estabilidade no Médio Oriente. Apesar destes eventos, os preços continuam sob pressão devido ao excesso de oferta, com o Iraque a aumentar as exportações de crude e os elevados inventários a limitar a valorização dos preços. O mercado do petróleo mantém-se entre riscos geopolíticos e fundamentos de oferta e procura.

Os preços do petróleo registaram ganhos moderados na segunda-feira, apoiados pela escalada das tensões geopolíticas na Europa e no Médio Oriente. Ainda assim, o mercado continua pressionado pela crescente oferta e pelas preocupações com a procura global de combustíveis, afectada pelo peso das tarifas comerciais.

O contrato de futuros do Brent subiu 34 cêntimos, ou 0,54%, para 67,07 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 34 cêntimos, para 63,02 dólares por barril, também com uma valorização de 0,54%. O contrato de Outubro do WTI expira esta segunda-feira, sendo substituído pelo de Novembro, que ganhou 36 cêntimos, para 62,76 dólares.

A valorização ocorreu após uma série de incidentes militares envolvendo a Rússia e membros da NATO. Segundo o governo da Estónia, três aviões militares russos violaram o seu espaço aéreo durante 12 minutos, na sexta-feira, levando o caso ao Conselho de Segurança da ONU. No sábado, a Polónia destacou caças para proteger a sua fronteira depois de bombardeamentos russos em território ucraniano próximo da linha fronteiriça. No domingo, a Alemanha relatou ainda a entrada de uma aeronave militar russa em espaço aéreo neutro sobre o Mar Báltico.

“Estas notícias recordaram aos investidores os riscos permanentes para a segurança energética europeia vindos do nordeste”, comentou Michael McCarthy, CEO da Moomoo Austrália e Nova Zelândia.

Ao mesmo tempo, no Médio Oriente, o reconhecimento oficial do Estado da Palestina por quatro países ocidentais provocou forte reacção de Israel e intensificou as preocupações sobre a estabilidade numa das regiões mais críticas para a produção mundial de petróleo.

Apesar do incremento recente, os preços permanecem sob pressão. Na semana anterior, o Brent e o WTI encerraram com perdas superiores a 1%, penalizados pelo excesso de oferta e pela perspectiva de menor consumo, mesmo após o corte de taxas de juro pela Reserva Federal dos EUA.

O Iraque anunciou o aumento das exportações de crude, que em Agosto atingiram em média 3,38 milhões de barris por dia. Para Setembro, a estatal SOMO estima que as exportações oscilem entre 3,4 e 3,45 milhões de barris diários, reflectindo o abrandamento dos cortes voluntários de produção no quadro da OPEP+.

Segundo Tim Evans, analista do Evans on Energy, o aumento das reservas estratégicas dos EUA e da China ajudou a absorver parte do excesso de produção, mas os elevados inventários continuam a limitar o potencial de valorização dos preços no curto prazo. “A acumulação de reservas confirmou que a oferta tem superado a procura, deixando a porta aberta a novas quedas”, afirmou.

O mercado do petróleo permanece, assim, no cruzamento entre riscos geopolíticos que sustentam os preços e fundamentos de oferta e procura que os mantêm sob pressão descendente.

Fonte: O Económico

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