Resumo
Algumas extensões elétricas incluem entradas para cabo coaxial, mas será que vale a pena usá-las? Estas entradas oferecem proteção adicional contra picos de tensão, especialmente úteis para antenas de TV e rádio no telhado. No entanto, em instalações com TV por satélite já ligadas à terra, a proteção extra pode causar mais ruído do que benefícios. Protetores coaxiais robustos podem ser úteis, mas extensões com proteção limitada podem até prejudicar os equipamentos. Para uma proteção eficaz, recomenda-se o uso de descarregadores de sobretensão dedicados para cabo coaxial, que utilizam tubos de descarga de gás. Em geral, é essencial manter um protetor de sobretensões atualizado para garantir a segurança dos aparelhos elétricos.
Os cabos coaxiais são usados em casa para a TV por cabo, satélite e até para a internet. São muito bons a bloquear interferências eletromagnéticas externas, graças à malha de fios e à folha metálica que protegem o sinal. Mas têm um problema: também podem sofrer picos de tensão, que depois se propagam para os aparelhos ligados a eles.
É por isso que alguns protetores incluem proteção para cabo coaxial, normalmente com dois conectores — uma entrada e uma saída. A ideia é dar uma camada extra de proteção aos equipamentos que têm cabos coaxiais ligados, como uma televisão.
Aqui está o senão. Embora os protetores coaxiais mais robustos possam ajudar em certas instalações, o que vem na tua extensão pode não fazer grande coisa e até causar problemas.
A questão é esta: sistemas como a TV por satélite já estão ligados à terra (através de um bloco de ligação à terra em latão), que oferece proteção específica aos cabos coaxiais contra picos de tensão. Ou seja, o trabalho pesado já está feito. Ao acrescentares mais uma ligação na extensão, podes acabar por enfraquecer o sinal ou introduzir ruído, exatamente o contrário do que querias.
As situações em que faz mais sentido usar proteção coaxial estão sobretudo ligadas a antenas de TV e rádio montadas no telhado. Mesmo assim, isto é apenas uma medida secundária, que complementa a ligação correta à terra. As antenas são particularmente vulneráveis a relâmpagos, que em média têm uma energia à volta de mil milhões de joules. E aqui não há ilusões: nenhum aparelho protege de um raio direto, e uma extensão básica, com proteção até cerca de 2.000 joules, pouco fará para evitar estragos nesse cenário.
Algumas extensões usam varístores de óxido metálico (conhecidos por MOV) para absorver a tensão extra dos picos, conduzindo a corrente durante a sobretensão e evitando danos. Funcionam bem com a eletricidade de casa, mas degradam-se com o tempo, razão mais do que suficiente para deitares fora protetores antigos, que podem já não estar a proteger nada. Além disso, podem afetar a integridade do sinal em cabos de dados de alta velocidade, como o coaxial.
Para uma proteção a sério, existem produtos dedicados: os chamados descarregadores de sobretensão para cabo coaxial. Estes têm um ponto para ligar um fio de terra e usam tubos de descarga de gás (GDT). Na prática, dentro de um pequeno cilindro há elétrodos e um gás inerte; quando um pico de tensão chega, o gás ioniza-se e cria um curto-circuito momentâneo, impedindo que a corrente em excesso chegue aos aparelhos sensíveis.
A recomendação dos especialistas é colocar estes descarregadores perto do equipamento — uma rádio, por exemplo e não junto à antena. Ajudam a proteger contra picos provocados por relâmpagos indiretos.
Se a tua extensão tem entradas coaxiais, não te sintas obrigado a usá-las na maioria das casas, com a TV já ligada à terra, podes ganhar mais ruído do que proteção. Essas entradas fazem sentido sobretudo para quem tem antenas exteriores, e mesmo aí como complemento de uma boa ligação à terra. Para o resto de nós, o mais importante continua a ser ter um protetor de sobretensões em condições para os aparelhos elétricos — e trocá-lo quando já tem uns anos em cima.
Fonte: Zero Zero





