Se andas atento aos meus artigos aqui na Leak.pt sobre a escalada absurda de preços no mundo da tecnologia, o que te venho contar hoje não te vai surpreender rigorosamente nada. Estavas à espera que a poeira assentasse e que os smartphones, portáteis ou relógios inteligentes voltassem a preços razoáveis? Podes tirar o cavalinho da chuva!
A Qualcomm, a gigante norte-americana que abastece quase meio mundo com os seus chips Snapdragon, acaba de emitir uma cartada pesada… Os preços dos seus processadores vão subir e a facada entra já em vigor no dia 1 de setembro.
Ou seja, já tínhamos a memória RAM e o armazenamento interno a atingirem valores estratosféricos devido à loucura dos centros de dados para Inteligência Artificial. Agora? A Qualcomm vem dizer que também não consegue segurar a ponta da corda e que vai aplicar aumentos de dois dígitos nos componentes que sairão das suas fábricas.

Portanto, o impacto disto vai ser gigantesco e transversa a quase tudo o que liga à corrente. Estamos a falar dos chips que dão vida aos topo de gama da Samsung, aos novos portáteis com processadores Arm, aos relógios, óculos de realidade virtual e até aos sistemas dos automóveis. A Qualcomm sacou da carta das “custas de produção e fornecimento” para justificar o rombo, culpando a escassez de componentes e a subida absurda de preço na DRAM e no NAND, que quintuplicaram de valor no último ano.
Ou seja, se a Qualcomm paga mais para fabricar o chip, quem é que achas que vai pagar a conta no final da linha? Obviamente que és tu, no momento em que fores à loja tentar comprar um telemóvel sem ter de pedir um crédito pessoal.
Infelizmente, a situação não tem qualquer tendência para melhorar nos próximos tempos. Como se não bastasse esta facada da Qualcomm já em setembro, a TSMC (a gigante taiwanesa que fabrica os chips para a Apple, Nvidia, Qualcomm e MediaTek), já avisou que vai voltar a aumentar a tabela de preços no próximo ano. É uma reação em cadeia perfeita para esfolar a carteira do consumidor.
No final do dia, as marcas vão empurrar estes custos adicionais para o preço final das prateleiras, vendendo a ideia de que o novo modelo é “revolucionário” para justificar mais um aumento de 100€ ou 200€. A ganância não para e a bolha da tecnologia continua a inchar.
Fonte: Zero Zero






