Resumo
A produção petrolífera da OPEP atingiu o nível mais baixo em mais de duas décadas em abril, devido a perturbações logísticas causadas pelo conflito entre o Irão, EUA e Israel, e restrições no Estreito de Ormuz. A produção dos 12 membros da OPEP recuou em cerca de 830 mil barris por dia, para aproximadamente 20,04 milhões de barris diários. O Kuwait foi o mais afetado, seguido pela Arábia Saudita e Iraque, enquanto os Emirados Árabes Unidos conseguiram aumentar a produção. A capacidade dos Emirados de contornar as restrições em Ormuz ajudou a manter os embarques. O atual cenário, com produção no nível mais baixo desde 2000, reflete o impacto das tensões no Médio Oriente e a incapacidade de implementar aumentos graduais acordados. A situação pode pressionar os preços do petróleo e a inflação global, afetando economias dependentes de importações energéticas.
Segundo um inquérito realizado pela Reuters, a produção dos 12 membros da OPEP recuou em cerca de 830 mil barris por dia face ao mês anterior, fixando-se em aproximadamente 20,04 milhões de barris diários.
A agência refere ainda que os dados de Março foram revistos em baixa em cerca de 700 mil barris por dia, após alterações nas estimativas relativas à produção da Saudi Arabia.
O recuo da produção ocorre numa altura particularmente sensível para o mercado energético internacional, numa conjuntura em que as tensões militares no Médio Oriente continuam a afectar uma das mais estratégicas rotas marítimas globais para transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
O Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto dos fluxos energéticos mundiais, permanece parcialmente condicionado devido às consequências do conflito regional, comprometendo operações de exportação de vários produtores do Golfo.
O impacto das disrupções revelou-se particularmente severo para o Kuwait, país que registou a maior quebra de produção entre os membros da OPEP, reflectindo um mês inteiro de perturbações nas exportações petrolíferas.
A Saudi Arabia e o Iraq também registaram novas quedas na produção, enquanto os United Arab Emirates surgiram como o único produtor do Golfo capaz de aumentar a produção no período analisado.
Segundo a Reuters, a capacidade dos Emirados Árabes Unidos de contornar parcialmente as restrições em Ormuz através de rotas alternativas de exportação ajudou a sustentar os embarques petrolíferos do país durante Abril.
A actual quebra produtiva assume particular relevância porque ocorre apesar de oito membros da aliança OPEP+ — que integra a OPEP e parceiros como a Russia — terem previamente acordado retomar aumentos graduais de produção a partir de Abril.
Contudo, o agravamento do conflito envolvendo o Irão acabou por inviabilizar a implementação efectiva desse plano, aprofundando os constrangimentos de oferta no mercado petrolífero internacional.
Segundo o inquérito da Reuters, os níveis actuais de produção representam o patamar mais baixo da OPEP desde pelo menos o ano 2000, excluindo alterações posteriores de membros da organização.
A produção encontra-se inclusivamente abaixo dos níveis observados durante o auge da pandemia da Covid-19 em 2020, período em que a procura global de petróleo sofreu colapso histórico devido às restrições económicas e de mobilidade.
Apesar do quadro generalizado de redução, alguns produtores conseguiram aumentar ligeiramente os volumes em Abril. Entre eles estão os United Arab Emirates, a Venezuela e a Libya.
A Reuters explica que o levantamento foi realizado com base em dados de fluxos marítimos da LSEG, informações de empresas de monitoria logística como a Kpler, além de fontes ligadas à própria indústria petrolífera, consultores e membros da OPEP.
O actual cenário reforça os receios de prolongamento das pressões sobre os preços internacionais do petróleo, numa altura em que o mercado energético global permanece altamente sensível aos desenvolvimentos geopolíticos no Médio Oriente.
Analistas internacionais alertam que uma eventual escalada adicional das tensões em Ormuz poderá aprofundar constrangimentos logísticos, pressionar ainda mais a inflação global e aumentar os riscos de desaceleração económica em diversas geografias fortemente dependentes de importações energéticas.
Fonte: O Económico





