InícioRevistaSociedadeRamaphosa pede desculpas por actos de violência contra estrangeiros

Ramaphosa pede desculpas por actos de violência contra estrangeiros

Por: Alberto Massango da AIM em Durban

Durban, 15 Ago (AIM) – O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, pediu desculpas ao seu homólogo moçambicano, Daniel Chapo, pela violência recentemente perpetrada por cidadãos sul-africanos contra estrangeiros, incluindo moçambicanos.

A discriminação contra estrangeiros resultou em saques, deslocamentos, assédio e tumultos fatais em assentamentos informais. Milhares de moçambicanos foram forçados a abandonar as suas casas e meios de subsistência, enquanto outros enfrentaram um ambiente de insegurança, marcado por ameaças, agressões e destruição de propriedades.

De acordo com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, falando a jornalistas na noite deste sábado, em Durban, província sul-africana de KwaZulu-Natal, o Presidente sul-africano apresentou o pedido de desculpas durante uma palestra realizada na Universidade de KwaZulu-Natal, na qual participou o Presidente Chapo, no contexto da 46.ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a ter lugar na próxima segunda-feira (17).

“O Presidente Ramaphosa, com toda a humildade, pediu desculpas pela violência levada a cabo por cidadãos sul-africanos contra estrangeiros, incluindo moçambicanos. É verdade que o Governo sul-africano sempre tratou este assunto como migração ilegal, mas o Presidente Ramaphosa manifestou o seu pedido de desculpas pela violência”, disse a Ministra.

“Este assunto não foi muito bem gerido, houve erros na gestão, embora não estejamos aqui para criticar”, acrescentou.

Segundo a Ministra, durante a 46.ª Cimeira, o Presidente Ramaphosa continuará a abordar a questão da violência xenófoba juntamente com os seus homólogos.

“Durante a reunião do Conselho de Ministros do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, a África do Sul também abordou o assunto, embora não fizesse parte da agenda. O Governo sul-africano foi felicitado por isso. Este assunto continuará a ser debatido (…). É preciso sentar e conversar para que possamos sarar as feridas abertas”, disse a governante.

A Ministra revelou ainda que o Presidente Chapo participará, neste domingo (16), na reunião do Órgão de Política, Defesa e Segurança, como convidado, “porque nós não fazemos parte da Troika”.

“O Presidente vai prestar informações sobre a situação de segurança em alguns distritos de Cabo Delgado”, acrescentou.

“Antes do próprio dia da Cimeira, o Presidente Chapo terá um encontro com o seu homólogo sul-africano para a discussão de vários assuntos”, disse.

Lucas acrescentou que, durante a Cimeira, será aprovado o orçamento da SADC para 2026-2027, assim como será feita uma avaliação da operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, “que tem que ver com a integração regional”.

“Alguns Estados-Membros, como Moçambique, já assinaram o instrumento referente ao Fundo, mas é preciso que 11 Estados-Membros o ratifiquem para que entre em vigor”, disse a titular da pasta dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

A Cimeira será igualmente marcada pela passagem da Presidência da SADC do Zimbabwe para a África do Sul, “num momento de reafirmação do compromisso dos Estados-Membros com o fortalecimento da integração e da cooperação regional”.

O Presidente moçambicano faz-se acompanhar pela Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas; pelo Ministro da Economia, Basílio Muhate; pela Alta-Comissária de Moçambique na África do Sul, Maria Gustava; e pelo Alto-Comissário de Moçambique no Botswana e Representante Permanente junto da SADC, António Macheve.
(AIM)
Am/pc

 

Fonte: aimnews

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