Resumo
Megaprojetos de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, em Moçambique, têm potencial para gerar 11 mil milhões de dólares anuais em atividade económica e até quatro mil milhões em receitas fiscais para o Estado. Estas projeções indicam benefícios significativos, como a redução da dívida pública, investimento reforçado e criação de empregos. No entanto, a estabilidade política e social é crucial para o sucesso destes investimentos, como demonstrado pela suspensão do projeto Mozambique LNG devido a ataques insurgentes. Com investimentos de empresas como ExxonMobil e Eni, Moçambique poderá tornar-se um dos principais exportadores mundiais de gás natural liquefeito, mas é essencial converter estas receitas em benefícios tangíveis para o país e a população.
Um relatório do Standard Bank, elaborado em parceria com a consultora Conningarth Economists, aponta que os megaprojectos de gás natural liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma poderão gerar cerca de 11 mil milhões de dólares por ano em actividade económica e até quatro mil milhões de dólares anuais em receitas fiscais para o Estado moçambicano. As projecções indicam ainda que o sector poderá contribuir para a redução da dívida pública, reforço do investimento e criação de milhares de empregos.
Estes números representam uma perspectiva económica significativa para um país que enfrenta limitações orçamentais, e desafios sociais profundos. Segundo o Director-Executivo do Standard Bank em Moçambique, Bernardo Aparício, as receitas provenientes do sector extractivo poderão ter um papel importante na consolidação das contas públicas e no fortalecimento da capacidade do Estado para financiar áreas essenciais.
As expectativas em torno do gás natural são elevadas, mas os números apresentados precisam ser analisados para além das previsões financeiras. A entrada de milhares de milhões de dólares na economia poderá representar uma mudança importante, desde que exista capacidade de converter essas receitas em benefícios concretos para o país.
Dentro deste cenário, o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, é apresentado como uma das maiores apostas privadas previstas para África, com um investimento estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares. A expectativa é que a produção comece em 2030, caso sejam concluídas as condições necessárias para a decisão final de investimento. O estudo prevê ainda que o país poderá acumular cerca de 81 mil milhões de dólares no Fundo Soberano até 2056.
Outro ponto relevante está relacionado com o possível aumento do rendimento das famílias. As projecções indicam uma subida de 21%, impulsionada pela criação de empregos directos e indirectos. Esta expectativa pode representar uma mudança positiva.
Apesar das expectativas, os desafios permanecem. O sector do gás em Cabo Delgado esteve condicionado pela instabilidade provocada pelos ataques insurgentes, que levaram à suspensão do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. Embora tenham sido registadas melhorias na segurança e existam esforços para retomar as operações, a situação demonstra que grandes investimentos dependem também de estabilidade política e social.
Por fim, a italiana Eni, por sua vez, pretende expandir a sua participação no país através de uma segunda unidade flutuante de produção de GNL, estimada em 7,2 mil milhões de dólares, dando continuidade ao projecto Coral Sul FLNG, que iniciou exportações em 2022. Estes investimentos colocam Moçambique perante uma possibilidade de se afirmar entre os maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito.






