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Sistema Comercial Global Entra Em Fase De Fragmentação E Pressiona Países Em Desenvolvimento

Resumo

O comércio internacional enfrenta pressões devido a grandes economias que adotam medidas comerciais unilaterais, afastando-se de princípios multilaterais. A incerteza aumenta, com acesso a mercados condicionado por alinhamentos políticos. A Organização Mundial do Comércio é crucial, mas a falta de um sistema eficaz de resolução de disputas compromete a equidade entre países. A reforma da OMC é vista como essencial para restaurar a previsibilidade e a confiança no sistema global. Países em desenvolvimento continuam a enfrentar desafios estruturais para beneficiar plenamente do comércio global, com exportações concentradas em setores de baixo valor acrescentado. Apesar do crescimento do comércio entre países em desenvolvimento, muitos permanecem dependentes de exportações primárias, limitando a diversificação económica e a integração em setores como a economia digital e serviços.

Durante décadas, o comércio internacional foi sustentado por um quadro previsível de regras, permitindo a expansão do comércio global, a redução de barreiras e a integração de economias em desenvolvimento nas cadeias de valor.No entanto, este modelo está sob pressão. Grandes economias têm vindo a afastar-se dos princípios multilaterais, adoptando medidas comerciais orientadas por interesses estratégicos, segurança nacional e competição geopolítica.O resultado é um ambiente cada vez mais incerto, onde o acesso a mercados se torna menos previsível e mais dependente de alinhamentos políticos e capacidade de negociação.Um dos principais alertas do relatório é claro: a previsibilidade que caracterizou o comércio global nas últimas décadas está a ser substituída por volatilidade persistente.O aumento de medidas unilaterais — incluindo tarifas, controlos de exportação e restrições tecnológicas — tem contribuído para um ambiente de incerteza, afectando directamente a confiança dos investidores e o funcionamento das cadeias globais de valor.Para economias em desenvolvimento, esta mudança tem implicações particularmente profundas, uma vez que dependem de regras estáveis para aceder a mercados internacionais e sustentar o crescimento económico.A Organização Mundial do Comércio surge no centro deste debate.O relatório sublinha que a ausência de um sistema plenamente funcional de resolução de disputas compromete a capacidade do sistema multilateral de garantir equidade entre países — especialmente para economias mais pequenas e vulneráveis.Sem um mecanismo eficaz, os compromissos comerciais tornam-se menos vinculativos, abrindo espaço para práticas unilaterais e aumentando o risco de conflitos comerciais.A reforma da OMC é, assim, apresentada como uma prioridade estratégica para restaurar previsibilidade, transparência e confiança no sistema global.Apesar de décadas de integração comercial, muitos países em desenvolvimento continuam a enfrentar dificuldades estruturais para beneficiar plenamente do comércio global.Segundo o relatório, os países menos desenvolvidos representam apenas cerca de 1,1% das exportações globais, um valor praticamente estagnado nas últimas décadas.Além disso, a dependência de exportações de baixo valor acrescentado e a limitada integração em sectores mais sofisticados, como serviços e economia digital, continuam a restringir o potencial de crescimento.Um dos dados mais relevantes do relatório mostra que o comércio entre países em desenvolvimento cresceu significativamente, passando de cerca de 500 mil milhões de dólares em 1995 para 6,8 biliões em 2025.Actualmente, representa mais de um quarto do comércio global.Apesar deste crescimento, as assimetrias estruturais mantêm-se, com muitos países ainda dependentes de exportações primárias e com limitada capacidade de diversificação económica.O relatório destaca ainda um risco emergente: a marginalização dos países em desenvolvimento na economia digital e nos serviços.Apesar do crescimento global destes sectores, os países menos desenvolvidos representam menos de 1% das exportações globais de serviços, evidenciando a dificuldade de integração em áreas de maior valor acrescentado.Sem reformas que garantam acesso, interoperabilidade e regras claras, estes países correm o risco de ficar à margem das novas dinâmicas económicas globais.Outro ponto crítico é a transformação do sistema comercial de um modelo multilateral para um sistema cada vez mais fragmentado, baseado em acordos regionais, parcerias estratégicas e alinhamentos políticos.O enfraquecimento do princípio da Nação Mais Favorecida (MFN) — que garante tratamento igual entre parceiros comerciais — é um sinal claro desta mudança.Este novo modelo tende a beneficiar economias com maior poder de negociação, enquanto países mais pequenos enfrentam maior risco de exclusão.Para economias africanas, incluindo Moçambique, a evolução do sistema comercial global tem implicações directas.A dependência de exportações de commodities, a necessidade de atrair investimento e a integração em cadeias de valor tornam estes países particularmente sensíveis à previsibilidade das regras comerciais.Num ambiente mais fragmentado, o risco é claro:
menor acesso a mercados,
maior volatilidade nas exportações,
e maior dificuldade em escalar cadeias de valor.O relatório da UNCTAD deixa uma mensagem inequívoca:
o futuro do comércio global dependerá da capacidade de reformar o sistema multilateral.Sem essa reforma, o mundo caminha para um modelo mais fragmentado, menos previsível e potencialmente mais desigual.Para os países em desenvolvimento, a questão não é apenas comercial — é estrutural:
o comércio continua a ser um dos principais motores de crescimento, diversificação e desenvolvimento económico.

Fonte: O Económico

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