InícioRevistaTecnologiaSuécia encontrou um negócio milionário: transformar o lixo dos outros em energia

Suécia encontrou um negócio milionário: transformar o lixo dos outros em energia

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Para muitos países, o lixo é um problema e uma despesa. Mas a Suécia transforma lixo em energia há décadas e criou à volta deste sistema um negócio particularmente interessante: importa milhões de toneladas de resíduos de outros países para produzir calor e eletricidade.

O país praticamente eliminou os resíduos domésticos enviados para aterro e construiu uma enorme capacidade para os transformar em calor e eletricidade. Agora importa lixo de outros países para alimentar essas centrais.

A base do sistema são as centrais de cogeração suecas, as . As centrais queimam os resíduos não recicláveis para produzir vapor, que movimenta turbinas e gera eletricidade. As centrais aproveitam o calor resultante para aquecer água, posteriormente distribuída pelas extensas redes de aquecimento urbano.

Segundo a e, a valorização energética dos resíduos permite recuperar cerca de 19,5 TWh de energia por ano, suficiente para aquecer aproximadamente 1,47 milhões de apartamentos e produzir eletricidade equivalente ao consumo de cerca de 940 mil.

E há um número que ajuda a perceber o sucesso do modelo: menos de 1% dos resíduos domésticos suecos acaba em aterro.

Isto não significa, contudo, que a Suécia "recicle 100% do lixo". O país recicla uma parte dos resíduos, trata outra biologicamente e utiliza o restante na produção de energia.

O sistema cresceu tanto que existe mais capacidade de tratamento do que resíduos nacionais disponíveis. A solução foi procurar lixo além-fronteiras.

Em 2024, a Suécia recebeu cerca de 3,86 milhões de toneladas de resíduos sujeitos a notificação transfronteiriça, sobretudo provenientes do Reino Unido, Noruega e Itália, segundo a Agência Sueca de Proteção Ambiental.

Nem todos estes resíduos são destinados à produção de energia. No caso específico dos combustíveis derivados de resíduos utilizados nas centrais suecas, as importações têm rondado 1,4 a 1,6 milhões de toneladas por ano desde 2017.

Além disso, há uma particularidade económica interessante: ao contrário de uma central que compra carvão ou gás, as instalações de valorização energética podem receber dinheiro para aceitar os resíduos.

Os países ou empresas pagam pelo tratamento do lixo não reciclável. A central sueca recebe esses resíduos e posteriormente obtém mais valor através da venda do calor e da eletricidade produzidos.

Ou seja, o mesmo lixo pode gerar receita quando entra na central e novamente quando é transformado em energia.

Existe, contudo, uma importante contrapartida ambiental. Grande parte das emissões está associada aos plásticos, produzidos a partir de combustíveis fósseis. Quando são queimados, libertam CO₂ fóssil.

Segundo um relatório do Conselho Nórdico de Ministros, em 2021 a incineração de resíduos representou cerca de 73% das emissões de CO₂ equivalente do setor sueco de produção combinada de calor e eletricidade.

Portanto, embora a valorização energética possa ser preferível ao aterro para determinados resíduos e permita recuperar energia, continua abaixo da redução, reutilização e reciclagem na hierarquia europeia dos resíduos.

A Suécia conseguiu transformar um problema num recurso: importa resíduos que outros países querem eliminar, recebe pela sua gestão e utiliza-os para produzir calor e eletricidade.

Contudo, o modelo sueco funciona tão bem que criou um curioso paradoxo. Se a Europa conseguir reduzir drasticamente a produção de resíduos e aumentar a reciclagem, as centrais suecas poderão ter cada vez menos "combustível" disponível.

Por enquanto, isso parece estar longe de acontecer. Só em 2024, 3,86 milhões de toneladas de resíduos atravessaram as fronteiras suecas. Para muitos são lixo. Para a Suécia são também energia e negócio.

 

Fonte: Pplware

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