InícioTecnologiaTens estes 5 aparelhos em casa? Podem estar a seguir-te os passos

Tens estes 5 aparelhos em casa? Podem estar a seguir-te os passos

Resumo

Atualmente, estamos constantemente a ser seguidos de várias formas, desde sites e apps até aos aparelhos em casa que recolhem informações sobre nós. Existem cinco aparelhos do dia-a-dia que podem estar a vigiar-nos sem o nosso conhecimento, como um router de wifi que pode detetar movimentos e até a respiração, sem invadir a rede. As smart TVs também podem espiar o que vemos, utilizando tecnologia de reconhecimento automático de conteúdos para recomendar mais conteúdos e para fins publicitários. Óculos com câmara incorporada podem enviar gravações para a nuvem, podendo ser revistas por terceiros, o que levanta preocupações em termos de privacidade. Recomenda-se desativar funções desnecessárias nestes aparelhos para proteger a privacidade.

Hoje em dia é praticamente impossível viver sem sermos seguidos de alguma forma. Os sites seguem-nos, as apps que usamos todos os dias estão entre os piores intrusos, e os próprios aparelhos que temos em casa recolhem informação sobre nós. Nem sempre é por mal, muitas vezes é só telemetria para corrigir erros e melhorar o desempenho. Mas há aparelhos do dia-a-dia que te podem andar a vigiar sem teres a menor ideia. Estes são cinco deles e o que podes fazer em relação a cada um.

Pode parecer ficção científica, mas não é: um router de wifi pode ser usado quase como um sonar para “ver” o que se passa à sua volta. A tecnologia é tão sensível que, em teoria, consegue detetar o movimento de alguém a andar, e há investigação que sugere que pode chegar a captar coisas tão subtis como a respiração, mesmo noutra divisão da casa.

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O mais inquietante é que nem seria preciso invadir a rede nem comprar equipamento caríssimo, bastaria um simples smartphone mantido por perto. A vítima nunca daria por nada.

Agora a dose de realidade: até hoje não há casos documentados deste abuso no mundo real, e muita da investigação aponta para usos positivos, por exemplo, detetar quedas de pessoas idosas que vivem sozinhas. Ainda assim, é bom saber que o aparelho mais inofensivo da casa tem este potencial escondido.

Vamos ser diretos: a tua smart TV pode estar a espiar o que vês. A maioria das televisões inteligentes usa uma tecnologia conhecida por reconhecimento automático de conteúdos. Em termos práticos, é a TV a “ver” aquilo que tu vês, a registar esses hábitos e a usá-los para te recomendar mais conteúdos e, muitas vezes, para fins publicitários.

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Já houve casos arrepiantes ao longo dos anos, desde fabricantes apanhados a recolher dados captados pelo microfone até sistemas que identificavam quem estava a ver determinado anúncio através de sons inaudíveis enviados para os telemóveis por perto.

Não precisas de deitar a televisão fora. Faz é uma limpeza nas definições: desliga a recolha de dados e o reconhecimento de conteúdos, desativa funções que nunca usas (como o microfone para comandos de voz) e corta os anúncios sempre que for possível. E se vês tudo através de uma box de streaming, podes até desligar a própria TV do wifi quem precisa de estar ligado é a box, não o ecrã.

Os óculos com câmara incorporada parecem porreiros para filmar sem mãos até serem usados para filmar outras pessoas em segredo. Mas o risco maior nem é esse. O problema são as próprias empresas.

Segundo organizações de defesa de direitos digitais, alguns destes óculos não têm funcionamento verdadeiramente offline: conversas com a assistente de IA e gravações vão parar à nuvem e podem, em certos casos, ser revistas por trabalhadores para treinar os sistemas de inteligência artificial. Houve até relatos de funcionários que descreveram o tipo de conteúdo a que tinham acesso como material capaz de gerar enormes escândalos.

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E aqui há uma diferença importante face ao telemóvel: o telemóvel não está pousado na tua cara, apontado a tudo o que te rodeia o tempo todo. Os óculos inteligentes introduzem uma classe de risco de privacidade completamente nova. De toda esta lista, é provavelmente o aparelho que mais vale a pena pensar duas vezes antes de comprar.

É impossível negar as vantagens de uma campainha com câmara: vês quem está à porta mesmo quando não estás em casa, evitas visitas indesejadas e ganhas uma camada extra de segurança. Mas, como é fácil de imaginar, ter uma câmara em casa que pertence a uma empresa de tecnologia obriga a confiar que só tu vais ter acesso às imagens e isso nem sempre se confirmou.

Há ainda outra preocupação: as câmaras dos vizinhos. Aquele vizinho mais zeloso, sempre de olho em tudo, passa agora a ter uma câmara ligada dia e noite, cujas imagens pode entregar a quem quiser. E provavelmente há várias dessas câmaras no teu prédio ou na tua rua.

Mais uma vez, não tem de se deitar nada fora. Vai às definições, desativa funções de partilha comunitária de imagens que não te interessem e limita ao máximo o que for possível. Não importa a marca, desconfia sempre de qualquer aparelho que esteja a filmar continuamente em segundo plano, 24 horas por dia.

Depois de te habituares a ligar as luzes com a voz, custa voltar a levantar-te do sofá para carregar no interruptor. Podes encher a casa de aparelhos inteligentes que tornam tudo mais cómodo e seguro. Mas repetimos, são feitos por empresas que nem sempre respeitam a tua privacidade, ou sequer a própria política de privacidade. E quando não estão a recolher dados, podem estar simplesmente vulneráveis a ataques.

Usa o bom senso. Não ponhas uma câmara dentro do quarto, tem cuidado com as marcas que escolhes (basta procurar o nome do fabricante junto de “falhas de segurança” para perceberes quais evitar). Também não cometas erros básicos como deixar a rede de casa com palavras-passe fracas ou encriptação antiga. Vale a pena manter alguns aparelhos “burros”, como uma fechadura normal na porta, para reduzir os pontos de ataque.

No fundo, quase tudo isto é segurança básica que já devias fazer no computador e no telemóvel: palavras-passe fortes e tudo atualizado. Os atacantes vão sempre atrás do alvo mais fácil por isso, mesmo o mínimo esforço já te torna bem menos apetecível.

 

Fonte: Zero Zero

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