InícioRevistaNacionalUNICEF: Moçambique é exemplo de financiamento sustentável para acesso a água

UNICEF: Moçambique é exemplo de financiamento sustentável para acesso a água

O UNICEF destacou Moçambique como exemplo de inovação no financiamento do abastecimento de água, através de um fundo rotativo já expandido para 25 pequenas cidades, e evidenciou a rápida mobilização de fundos após o ciclone Jude, em 2025.

Segundo o relatório de 2025 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sobre água, saneamento, higiene e ambiente, “a expansão de um modelo de fundo rotativo para o abastecimento de água em pequenas cidades em Moçambique foi identificada como uma abordagem escalável para a sustentabilidade financeira”, sendo apontada como uma experiência com “forte potencial” para ser replicada noutras regiões.

No mesmo documento acrescenta-se que o mecanismo permitiu aumentar as ligações domiciliárias e reforçar a sustentabilidade financeira dos serviços de abastecimento de água, ao mesmo tempo que Moçambique integra o grupo de países apoiados pela organização na implementação de estratégias nacionais de financiamento para água, saneamento e higiene (WASH).

No domínio climático, no relatório destaca-se o resultado do acionamento, em março de 2025, de um quadro de “ação antecipada” após a passagem do ciclone Jude, mobilizando rapidamente recursos para assistência às populações afetadas.

No texto, refere-se que, após a passagem do ciclone Jude, que atingiu o norte de Moçambique em 10 de março de 2025, o Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) das Nações Unidas disponibilizou seis milhões de dólares (5,2 milhões de euros) em 13 minutos, enquanto o mecanismo de seguro paramétrico Today and Tomorrow Initiative (TTI) libertou 2,5 milhões de dólares (2,2 milhões de euros) para apoio imediato.

A organização apresenta estes instrumentos como exemplos de “financiamento pré-acordado” e de resposta rápida a choques climáticos.

No relatório acrescenta-se que Moçambique dispõe atualmente de dois mecanismos de ação antecipada apoiados pelo UNICEF para resposta a ciclones e integra iniciativas internacionais destinadas a reforçar a resiliência dos serviços essenciais perante fenómenos meteorológicos extremos.

Entre outros resultados assinalados para o país, destaca-se a construção ou reabilitação de 188 salas de aula resilientes ao clima em 2025, beneficiando cerca de 18.800 alunos. Desde 2022, foram apoiadas 1.645 salas de aula, alcançando mais de 210 mil estudantes. As intervenções tiveram como objetivo garantir a “continuidade da educação após desastres”, com particular atenção às crianças mais expostas aos impactos das alterações climáticas.

Mais de 580 crianças participaram ainda em programas escolares de preparação para emergências em mais de 80 escolas do país, enquanto as respostas financiadas após os ciclones Chido, Dikeledi e Jude beneficiaram mais de 150 mil crianças através da disponibilização de espaços temporários de aprendizagem, material escolar e serviços de saúde, água e saneamento.

Em Angola, o relatório destaca a resposta ao surto de cólera de 2025, incluindo ações de monitorização da qualidade da água, com a cartografia de 2.597 pontos de abastecimento em comunidades prioritárias e formação de gestores locais em técnicas de cloração.

Em São Tomé e Príncipe, a organização salienta a expansão do programa de Saneamento Total Liderado pela Comunidade (CLTS), que contribuiu para eliminar a defecação a céu aberto em 15 comunidades, beneficiando cerca de 500 agregados familiares.

A nível global, o UNICEF alerta que o acesso universal à água, saneamento e higiene continua ameaçado por uma “convergência de choques sistémicos”, incluindo alterações climáticas, conflitos prolongados, fragilidade institucional, degradação ambiental e volatilidade económica.

Segundo a organização, 2,1 mil milhões de pessoas permanecem sem acesso a água potável gerida de forma segura, 3,4 mil milhões não dispõem de saneamento seguro e 1,7 mil milhões continuam sem instalações básicas para lavagem das mãos.

Por outro lado, alerta que as alterações climáticas estão a transformar a disponibilidade e a qualidade da água, enquanto os conflitos agravam a degradação das infraestruturas essenciais de abastecimento e saneamento.

 

Fonte: Observador

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