InícioRevistaSaúdeO AVANÇO DAS DOENÇAS CRÓNICAS EM ÁFRICA

O AVANÇO DAS DOENÇAS CRÓNICAS EM ÁFRICA

Por: Gelva Aníbal

A saúde pública em África foi dominado por um conjunto conhecido por desafios dos quais, Malária, tuberculose, HIV e surtos epidémicos que exigiam respostas urgentes e mobilização internacional, pois essas doenças representam ameaças sérias para milhões de pessoas.

Cancro, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares começam a ocupar um espaço cada vez maior na realidade sanitária africana, diferentemente das epidemias, que surgem de forma abrupta e chamam imediatamente a atenção das autoridades e dos meios de comunicação, as doenças crónicas evoluem de forma gradual, o seu avanço é lento, muitas vezes silencioso, e por isso tende a passar despercebido até atingir proporções difíceis de ignorar.

A urbanização acelerada, as alterações nos hábitos alimentares, a redução da actividade física e o aumento da esperança média de vida criaram condições para o crescimento destas doenças. Trata-se de um fenómeno que acompanha o próprio processo de desenvolvimento e modernização das sociedades.

Apesar dessa mudança gradual, muitos sistemas de saúde, permanecem estruturados principalmente para responder às doenças infecciosas. Hospitais, programas de saúde pública e políticas governamentais continuam, em grande medida, orientados para enfrentar epidemias e surtos que exigem intervenção imediata, embora essa prioridade continue a ser importante, ela pode deixar em segundo plano desafios que se desenvolvem de forma mais lenta, mas não menos significativa.

O caso do cancro ilustra bem essa realidade, em várias regiões, o diagnóstico continua a ocorrer em fases avançadas da doença, quando as opções de tratamento já são mais limitadas. A ausência de programas amplos de rastreio e a dificuldade de acesso a exames especializados contribuem para que muitos casos sejam detectados tardiamente e como resultado, os impactos humanos, sociais e económicos tornam-se mais severos.

As doenças crónicas têm ainda uma característica particular, exigem acompanhamento contínuo ao contrário de muitas doenças infecciosas, que podem ser tratadas em períodos relativamente curtos, estas condições frequentemente requerem monitorização ao longo de anos ou mesmo de toda a vida, o que representa um desafio adicional para sistemas de saúde que já operam sob forte pressão.

Quando pessoas em idade activa enfrentam problemas de saúde prolongados, os efeitos reflectem-se também nas famílias, nas comunidades e na economia, pois o custo do tratamento, a necessidade de cuidados constantes e a perda de capacidade produtiva criam um conjunto de consequências que vão muito além do sistema hospitalar.

Reconhecer essa realidade não significa reduzir a importância da luta contra as doenças infecciosas, que continuam a exigir vigilância permanente. O verdadeiro desafio consiste em adaptar as políticas de saúde a um cenário em transformação, onde novos problemas se somam aos antigos, isso implica ampliar a visão estratégica e preparar os sistemas de saúde para responder a diferentes tipos de desafios ao mesmo tempo.

À medida que as sociedades evoluem, também evoluem os desafios que enfrentam, compreender essa transformação é essencial para que as políticas públicas consigam antecipar problemas e construir respostas mais equilibradas.

A saúde pública, afinal, não se define pela capacidade de reagir a crises imediatas, ela depende também da capacidade de reconhecer tendências silenciosas que, com o tempo, podem redefinir as prioridades de todo um sistema, e ignorar esse fenómeno seria permitir que um problema crescente se consolide sem a atenção que merece.

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