InícioRevistaTecnologiaCada vez mais jovens têm uma conta falsa no Instagram e a...

Cada vez mais jovens têm uma conta falsa no Instagram e a culpa é dos pais

Hoje em dia, não estar nas redes sociais é quase o mesmo que não existir. O problema é que estas plataformas já não são território exclusivo dos mais novos: pais, filhos, avós e adolescentes partilham todos o mesmo palco online. E é precisamente daí que nasce uma tendência curiosa entre os mais jovens ter uma segunda conta falsa no Instagram, quase secreta, longe dos olhos da família.

A agência especializada em redes sociais deu um nome a este fenómeno: “Finsta”, uma junção de Fake Instagram (Instagram falso). Na prática, é uma conta secundária, usada para partilhar conteúdo mais pessoal e informal com um círculo restrito de amigos, o oposto da conta principal, que costuma ser mais cuidada, polida e pública. É por isso que vemos tantas contas com a designação spam_qqcoisa.

Instagram mensagens cuidado

Repara na inversão: num mundo em que tudo gira à volta de likes e comentários, estas contas procuram exatamente o contrário. Servem para mostrar momentos do dia a dia, parvoíces, fotos que nunca entrariam no feed “oficial”. É o espaço onde o jovem pode ser ele próprio, sem medo de “estragar” a imagem que construiu para o resto do mundo.

A melhor forma de perceber isto é pensar em duas identidades. A conta principal funciona quase como um currículo: perfeita, escolhida ao pormenor, pensada para os seguidores, os conhecidos e claro para os pais que os adicionaram. A segunda é o refúgio, onde a pressão social das redes deixa de existir.

E aqui está o ponto que dá o título a esta história: boa parte da culpa é mesmo dos pais. Ao entrarem no Instagram e ao começarem a seguir os filhos, muitos adultos empurraram-nos, sem querer, para criar um espaço só deles. A conta secundária tornou-se a forma de viver a adolescência com mais liberdade, longe do controlo de quem está em casa.

responder a mensagens no instagram através do pc? É possível!

O mais interessante é que esta tendência não é bem uma novidade, é quase um regresso às origens. Basta olhar para as primeiras fotografias e publicações dos primeiros anos do Facebook, do hi5 ou do próprio Instagram e compará-las com o que se vê hoje. Naquela altura, ninguém pensava em iluminação, filtros ou “estética de feed”: publicava-se o momento, tal como ele era.

As Finstas devolvem essa espontaneidade. E, com ela, devolvem também algo que se foi perdendo pelo caminho: a privacidade. Em vez das centenas ou milhares de seguidores que a maioria das pessoas acumula a esmagadora maioria simples conhecidos com quem nunca se fala, a conta secundária vive de um grupo pequeno, escolhido a dedo, a quem realmente se quer mostrar a vida.

No fundo, a “Finsta” é um sintoma. Diz-nos que a versão pública que mostramos nas redes anda cada vez mais afastada da vida real, tão afastada que os mais novos sentem necessidade de abrir uma segunda porta para poderem, simplesmente, ser autênticos.

Entretanto para os pais, há aqui uma lição que vai além do Instagram. A vontade dos filhos de terem um espaço próprio nem sempre é sinal de que estão a esconder algo grave; muitas vezes é apenas a velha necessidade adolescente de privacidade, agora transportada para o digital. O importante é manter o diálogo aberto e perceber que vigiar demasiado tende a produzir exatamente o efeito contrário ao desejado.

E tu, se tens filhos adolescentes, sabias que provavelmente existe uma segunda conta que nunca vais chegar a ver?

 

Fonte: Zero Zero

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

IEP De 28,01 Revela Mercado De Trabalho Preso À Baixa ProdutividadeIEP...

0
Moçambique continua a revelar dificuldades para transformar actividade económica em emprego formal, produtividade e melhoria sustentada dos rendimentos, segundo o Índice de Emprego e Produtividade referente ao primeiro trimestre de 2026.
- Advertisment -spot_img