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17 mil satélites no espaço mas a internet vive no fundo do mar

Olhas para o céu à noite e há uma boa hipótese de veres um comboio de satélites Starlink a passar. Já são mais de 17 mil os satélites em órbita, e mais de metade pertencem à rede de Elon Musk. Só a Starlink tem cerca de 10800 lá em cima. Com este cenário, parecia óbvio que a internet do futuro chegaria toda de satélites no espaço. A realidade, no entanto, é quase o contrário.

Por muito habituado que estejas ao WiFi lá de casa, cerca de 98% de todo o tráfego mundial de internet viaja por cabos de fibra ótica que nunca abandonam o planeta. Aquele salto sem fios que o teu vídeo do YouTube dá do router até ao telemóvel é, muito provavelmente, a primeira vez que esses dados saem de um cabo.

A lógica é parecida com a da tua casa: o cabo dá-te sempre uma ligação mais fiável, enquanto o sem fios é cómodo mas mais instável. À escala global, a diferença é brutal.

Tudo se resume a três palavras: largura de banda, latência e custo. Os cabos submarinos mais recentes conseguem debitar uns impressionantes 400 terabits por segundo (Tbps) num único cabo. Para teres uma ideia, espera-se que toda a rede Starlink chegue aos 800 Tbps… mas só em 2027.

Depois há o dinheiro. Colocar um satélite em órbita custa à volta de 300 mil dólares por unidade e isto nos valores da SpaceX, que lança os seus próprios. Instalar um cabo submarino também não é barato (fala-se em 250 a 400 milhões de dólares), mas resolve-se de uma vez e transporta muito mais dados, durante muito mais tempo.

Antena Starlink ao ar livre com edifícios ao fundo, em dia ensolarado.

Junta a isto o facto de os satélites sofrerem com o mau tempo e o congestionamento da rede, e percebes porque é que o fundo do mar continua a ser o rei.

O mais curioso é que isto não é tecnologia nova. Muito antes de o ser humano sequer voar, já andávamos a enrolar o planeta com cabos submarinos. O primeiro, para telégrafo, ligou Inglaterra a França em 1851. Poucos anos depois, em 1858, um cabo com cerca de 3.200 quilómetros atravessou o Atlântico entre a Irlanda e a Terra Nova, no Canadá.

O primeiro telegrama transatlântico foi trocado entre o presidente norte-americano James Buchanan e a Rainha Vitória a 16 de agosto de 1858. E aqui vem o melhor: a mensagem de 98 palavras da rainha demorou cerca de 16 horas a ser enviada. Lembra-te disto da próxima vez que te queixares de um jogo com lag.

Aquele cabo pioneiro durou apenas umas semanas antes de ficar mudo, mas a ideia vingou. A fibra ótica atravessou o Atlântico pela primeira vez em 1988 e hoje existem cerca de 1,5 milhões de quilómetros de cabo de fibra a ligar o mundo, o suficiente para ir à Lua e voltar quase duas vezes.

Com a órbita da Terra cada vez mais cheia de satélites, e o risco de colisões a aumentar, parece que a internet ainda vai ficar bem agarrada ao chão ou melhor, ao fundo do mar.

 

Fonte: Zero Zero

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