27.1 C
New York
Saturday, February 14, 2026
InícioEconomiaGoverno paga metade do 13.º salário: Entre a responsabilidade fiscal e o...

Governo paga metade do 13.º salário: Entre a responsabilidade fiscal e o descontentamento laboral

O Governo anunciou que irá pagar 50% do 13.º salário aos Funcionários e Agentes do Estado (FAE), enquanto os pensionistas receberão a totalidade do montante. O pagamento será feito numa única tranche em Fevereiro de 2025.

A decisão foi anunciada pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, após a II Sessão Ordinária do Conselho de Ministros. Segundo o governante, a medida não abrange ministros, deputados, governadores provinciais, secretários de Estado e membros do Conselho de Administração de instituições públicas financiadas pelo Orçamento do Estado.

A justificação apresentada pelo Executivo prende-se com constrangimentos financeiros decorrentes da baixa arrecadação de receitas nos últimos três meses de 2024.

Impacto das manifestações pós-eleitorais na decisão

O porta-voz do Governo atribuiu parte das dificuldades financeiras à onda de manifestações violentas pós-eleitorais, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que contesta os resultados das VII eleições gerais de 9 de outubro de 2024.

Os resultados definitivos, divulgados a 23 de Dezembro, deram vitória a Daniel Chapo, candidato da Frelimo, partido no poder. No entanto, os protestos subsequentes resultaram em danos avultados, estimados em centenas de milhões de dólares, afectando infraestruturas públicas e privadas.

Entre os bens destruídos estão instituições públicas, hospitais, ambulâncias, esquadras policiais, mercados, lojas e viaturas particulares, o que, segundo o Governo, agravou ainda mais a pressão sobre os cofres do Estado.

Reacções e impacto para os funcionários públicos

O anúncio gerou reacções diversas entre os funcionários públicos e sindicatos, que já vinham pressionando o Governo pelo pagamento integral do 13.º salário. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) revelou que o Estado acumula cerca de 50 milhões de dólares por ano em pagamentos atrasados a fornecedores.

Actualmente, o País conta com mais de 400 mil funcionários públicos, e a medida impacta directamente o orçamento doméstico dessas famílias.

“É desmotivador saber que, mesmo após um ano de trabalho árduo, o Governo não tem capacidade para honrar os compromissos. Muitos de nós contávamos com esse valor para cobrir despesas escolares e dívidas”, afirmou um representante sindical.

Apesar do descontentamento, o Governo garantiu que continua a envidar esforços para pagar horas extraordinárias aos FAE e saldar dívidas com fornecedores do Estado.

Perspectivas económicas e desafios fiscais

O pagamento parcial do 13.º salário é um reflexo dos desafios económicos que Moçambique enfrenta, marcados pela elevada dívida pública e dificuldades na arrecadação de receitas.

Especialistas apontam que a recente decisão do Banco de Moçambique de reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias de 39% para 29% pode melhorar a liquidez da economia, mas não resolve a fundo os problemas estruturais das finanças públicas.

“A questão central aqui não é apenas a falta de liquidez momentânea, mas sim a necessidade de reformas fiscais profundas. O Governo precisa de melhorar a eficiência na cobrança de impostos e diversificar as fontes de receita”, analisou um economista ouvido pelo O.Económico.

Um dilema entre estabilidade orçamental e impacto social

O pagamento de apenas metade do 13.º salário ilustra o dilema que o Governo enfrenta entre manter a responsabilidade fiscal e responder às exigências dos trabalhadores.

Embora a medida alivie momentaneamente a pressão sobre as contas públicas, ela gera insatisfação generalizada entre os funcionários públicos, que veem o seu poder de compra ser reduzido num contexto de inflação elevada e custo de vida crescente.

Nos próximos meses, o Governo poderá enfrentar novas greves e protestos caso não consiga estabilizar a situação. A incerteza fiscal e os desafios económicos persistem, e o desfecho desta situação dependerá da capacidade do Executivo em equilibrar os compromissos financeiros e sociais do país.

Fonte: O Económico

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Uma mulher prepara comida para seus filhos em um acampamento improvisado em Tawila, Darfur do Norte, Sudão, onde famílias deslocadas buscaram refúgio devido ao conflito em curso.

Ofensiva em El Fasher, no Sudão, é investigada como crime de...

0
Relatório da ONU denuncia violações graves durante ofensiva no Sudão, com possíveis crimes de guerra e contra a humanidade. Mais de 6 mil mortos nos primeiros...
- Advertisment -spot_img