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Primeira-Ministra defende serviços de saúde mais próximos das comunidades e lança Aliança para Acelerar Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil

A Primeira-Ministra, Benvida Levi, defendeu esta sexta-feira (12), na cidade de Maputo, a necessidade de fortalecer e integrar o subsistema comunitário de saúde, tornando os serviços mais próximos das populações, como condição essencial para acelerar a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil em Moçambique.

Falando na abertura do Fórum sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil em Moçambique, a governante afirmou que o desafio do país não consiste apenas em expandir os serviços de saúde, mas também em integrá-los, aproximá-los das comunidades e torná-los mais eficazes.

“Durante muito tempo, construímos sistemas para que as pessoas chegassem aos serviços de saúde. Contudo, a experiência e aprendizagem que fomos tendo ao longo dos anos levou-nos a concluir que a saúde começa onde as pessoas vivem”, afirmou, acrescentando que não se deve aceitar que a distância entre uma comunidade e uma unidade sanitária continue a representar, para muitos cidadãos, a diferença entre a vida e a morte.

Segundo Benvida Levi, o subsistema comunitário de saúde é mais do que um mecanismo de prestação de serviços, constituindo um instrumento de inclusão, uma ferramenta de equidade e uma plataforma de transformação social, assegurada sobretudo pelos Agentes Polivalentes Elementares (APEs) e outros actores comunitários.

A Primeira-ministra usou da ocasião para prestar homenagem aos APEs, líderes comunitários, activistas e parteiras tradicionais que trabalham nas zonas mais remotas do país, muitas vezes em locais onde não existem estradas, energia eléctrica ou redes de telecomunicações.

Levi reiterou ainda o compromisso do Governo em continuar a expandir a rede sanitária, aumentar o número de profissionais de saúde, reforçar as consultas pré-natais, assegurar partos seguros, alargar a cobertura vacinal e fortalecer os mecanismos de referência e contra-referência entre as comunidades e as unidades sanitárias.

Na mesma ocasião, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, destacou que o fortalecimento do subsistema comunitário constitui uma das principais apostas da actual governação e uma das mais importantes reformas introduzidas pela nova Lei do Sistema Nacional de Saúde.

Segundo o governante, a análise dos dados do sector demonstra que uma das principais causas da mortalidade materna está relacionada com atrasos que ocorrem ainda ao nível comunitário, razão pela qual o investimento em intervenções estruturadas e eficientes nas comunidades é fundamental para alcançar as metas nacionais.

“Quando analisamos as informações do sector, verificamos que a primeira demora que contribui para a mortalidade materna está na comunidade. Então, intervindo na comunidade, vamos alcançar as metas. É tempo de agir”, afirmou.

Foi igualmente durante o fórum que a Primeira-ministra lançou oficialmente a Aliança Nacional para Aceleração da Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil em Moçambique, uma plataforma que reúne parceiros de cooperação, congregações religiosas, organizações da sociedade civil, associações profissionais, sector privado e instituições académicas.

A iniciativa surge num contexto marcado pela redução do financiamento internacional para a saúde, pelos impactos das mudanças climáticas, conflitos, emergências sanitárias e novas ameaças epidemiológicas, factores que exigem novas formas de cooperação e mobilização de recursos.

“É neste âmbito de busca de soluções conjuntas que procedemos hoje ao lançamento da Aliança Nacional para a Aceleração da Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil. Saudamos todos aqueles que aceitaram integrar esta grande causa nacional”, declarou Benvida Levi.

A Aliança tem como objectivo reforçar a coordenação entre todos os actores envolvidos na saúde da mulher, da criança e do adolescente, promovendo consensos sustentáveis que orientem as políticas públicas e acelerem a implementação de intervenções de alto impacto.

O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Razaque Manhique, considerou que a plataforma representa uma demonstração da determinação colectiva de salvar vidas e colocar a saúde materna e infantil no centro das prioridades de desenvolvimento.

Por sua vez, a Directora Executiva da Aliança Global para Vacinas (Gavi), Sania Nishtar, felicitou Moçambique pelos progressos alcançados na introdução de vacinas contra 11 doenças potencialmente mortais e anunciou um novo financiamento de 275 milhões de dólares para apoiar os programas de vacinação do país nos próximos cinco anos, incluindo a introdução da vacina contra a Hepatite B.

Igualmente, a Chefe da Divisão de Investimento Estratégico e Impacto do Fundo Global, Marijke Wijnroks, reafirmou o compromisso da instituição em apoiar a implementação do Plano Estratégico Nacional de Saúde, com destaque para a atenção primária integrada, o fortalecimento do subsistema comunitário e os serviços móveis de saúde.

O fórum foi antecedido por uma reunião técnico-científica que culminou com uma declaração apresentada pelo Bispo da Igreja Metodista Wesleyana e Director Executivo da Plataforma Inter-Religiosa de Comunicação para a Saúde (PIRCOM), Dinis Matsolo, na qual representantes das confissões religiosas, sociedade civil, associações profissionais, sector privado e parceiros de cooperação assumiram o compromisso de contribuir para a aceleração da redução da mortalidade materna, neonatal e infanto-juvenil.

O Fórum Internacional sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil decorreu sob o lema: “Por um subsistema comunitário de saúde integrado e fortalecido para a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil”.

 

Fonte: INS


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