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Há combustível suficiente para aguentar até Maio

Resumo

Moçambique tem reservas de combustíveis líquidos até Maio, mas monitoriza os impactos do conflito no Médio Oriente. O país possui 75 mil toneladas de gasolina, gasóleo, querosene e Jet, importados antes do conflito, e 85 mil toneladas em navios. O governo trabalha para garantir o desembaraço aduaneiro e tem um fundo de estabilização para apoiar empresas distribuidoras. A subida dos preços do petróleo pode afetar a economia, especialmente se ultrapassar os 120 dólares por barril, podendo levar a um crescimento negativo se atingir os 140 dólares. Medidas serão tomadas para mitigar os impactos nos custos e no custo de vida, conforme necessário.

O PAÍS dispõe de “stocks” de combustíveis líquidos suficientes para assegurar o funcionamento da economia até Maio, contudo o Governo continua a monitorar possíveis impactos do conflito no Médio Oriente, uma das principais fontes de derivados de petróleo que abastecem o mercado moçambicano.

Falando ontem no fim da Sessão do Conselho de Ministros, Amílcar Tivane, secretário de Estado do Tesouro, admitiu que caso a tendência de subida dos preços do petróleo no mercado internacional prevaleça os seus impactos só poderão fazer-se sentir dentro de dois meses.

“O país dispõe de capacidade para suprir as necessidades de consumo interno de combustíveis para o primeiro trimestre, uma vez que as encomendas foram feitas com alguma antecedência. Neste momento o mercado dispõe de pouco mais de 75 mil toneladas de gasolina, gasóleo, querosene, e Jet para o sector da Aviação” disse. 

Assegurou que os preços em vigor prevalecerão pelo menos até meados de Abril, na medida em que estes “stocks” foram importados à luz da tabela praticada antes do início do conflito.

Paralelamente a estas quantidades, o país tem ainda disponível nos terminais oceânicos, em navios atracados, cerca de 85 mil toneladas de combustíveis, e o Governo está a trabalhar para assegurar que se faça o desembaraço aduaneiro por forma a suprir eventuais necessidades de consumo interno. 

Anotou que acções estão em curso no sentido de assegurar que em função da intensidade e duração do conflito o país consiga accionar instrumentos de amortecimento através de um fundo de estabilização que permite a reposição da lucratividade para as empresas distribuidoras, num contexto em que os preços no mercado interno situam-se abaixo dos internacionalmente praticados.

Indicou que os impactos da subida dos preços dos combustíveis para o crescimento económico vão depender da intensidade e duração do conflito.

Projecções apontam que num cenário moderado, com os preços a ultrapassar a fasquia dos 120,00 dólares por barril, os impactos poderão ser visíveis na estrutura de custos das micro e pequenas empresas.

 Se o choque mostrar-se persistente eventualmente as perspectivas de recuperação da economia poderão ser afectadas e o ritmo de crescimento que o país vinha experimentando poderá ser mais lento.

“Num cenário extremo em que o preço por barril ultrapasse os 140,00 dólares eventualmente a economia nacional poderá registar, de facto, um crescimento negativo”, disse.  

Havendo necessidade poderão ser accionadas medidas com o propósito de mitigar as perturbações que um choque desta natureza tem sobre a estrutura de custo e das dinâmicas do custo de vida.

 

Fonte: Jornal Noticias

 

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