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As redes sociais estão a trazer de volta a moda da pele bronzeada entre os mais jovens, mas os especialistas avisam que o risco de melanoma está a aumentar na mesma proporção.
Um vídeo em que uma jovem partilha os seus "segredos de bronzeado" já ultrapassou os 11 milhões de visualizações, e nos comentários não faltam frases como "o mundo provavelmente não vai durar muito de qualquer forma, prefiro sair bronzeado do que pálido".
Neste cenário, contado pela Associated Press, numa reportagem, a comunidade médica nos Estados Unidos revela estar preocupada.
Só em 2026, a American Cancer Society estima mais de 100 mil novos casos de melanoma nos Estados Unidos, com cerca de 8.500 mortes previstas.
O problema agrava-se com influenciadores que continuam a promover o uso dos solários.
Segundo a Associated Press, o investigador Pedram Gerami e a sua equipa na Northwestern University quiseram perceber o que se passa, a nível celular, com quem usa solários.
A conclusão foi que essas pessoas têm um risco quase três vezes superior de desenvolver melanoma, face a quem nunca os utilizou.
A equipa analisou o ADN de melanócitos, as células da pele que podem originar sinais, melanoma ou outros cancros, e descobriu que a taxa de mutações nestas células em utilizadores de solários é mais do dobro da registada em pessoas expostas apenas ao sol.
Isto deve-se ao facto de estes equipamentos poderem emitir mais de 10 vezes a radiação UV do sol. Segundo Gerami, bastam duas ou três mutações no sítio certo para o processo evoluir para melanoma.
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p id="caption-attachment-1132966" class="wp-caption-text">O melanoma superficial é o tipo mais comum de melanoma, apresentado em tons de pele mais claros. Crédito: jaojormami/Adobe Stock, via
Um inquérito de 2025 da American Academy of Dermatology, citado pelo mesmo órgão de comunicação, mostra que os adultos da Geração Z estão menos informados sobre proteção solar e mais sujeitos a acreditar em ideias erradas.
Mais de um quinto dos jovens adultos admite priorizar o bronzeado em detrimento da proteção da pele, e mais de metade acredita que ter uma "base bronzeada" protege contra queimaduras solares, o que não é verdade.
Nas redes sociais, alguns vídeos chegam a ridicularizar os avisos de dermatologistas, afirmando falsamente que o próprio , ou incentivando exposição solar nas horas de maior índice UV, o oposto do que os especialistas recomendam.
Anthony Rossi, dermatologista no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, disse que compreende o fascínio pelo bronzeado, tendo ele próprio usado solários quando era jovem. Contudo, acabou por desenvolver, anos mais tarde, um cancro de pele não-melanoma.
A conclusão do especialista é que não existe, de facto, um bronze seguro.
Neste sentido, há muito que a Organização Mundial da Saúde os solários como agentes cancerígenos, na mesma categoria do tabaco e do amianto.
Aliás, segundo a American Academy of Dermatology, usar estes equipamentos antes dos 20 anos pode aumentar o risco de melanoma em 47%.
De acordo com a psicóloga Sherry Pagoto, da Universidade do Connecticut, também citada pela Associated Press, falar apenas de risco de cancro tem pouco efeito nos adolescentes, já que a motivação para o está ligada à aparência.
Por isso, pode ser mais eficaz falar dos efeitos visíveis do sol em excesso, como pele mais envelhecida e enrugada, ou até levar o jovem a um dermatologista para uma fotografia UV que revele danos ainda invisíveis a olho nu.
A par disso, Pagoto sublinha a importância de os próprios pais darem o exemplo, já que muitos hábitos de bronzeado das adolescentes são copiados das mães. Ter protetor solar sempre à mão em casa e oferecer autobronzeadores pode ser uma forma suave de afastar os mais novos das práticas de risco.
A psicóloga deixa ainda um alerta à paciência, avisando que a mudança de comportamento pode demorar tempo, e por vezes os pais têm mesmo de esperar que o processo do jovem siga o seu curso, sem forçar resultados imediatos.
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Fonte: Pplware





