Durante anos, dissemos aqui na Leak que comprar um computador em pleno século XXI com apenas 8GB de memória RAM era o equivalente a comprar um carro de gama alta com o motor de um Fiat 500. No entanto, a crise brutal na produção de memórias atirou os preços dos componentes para as nuvens. O resultado? Os fabricantes de portáteis foram forçados a recuar e a meter novamente as configurações de 8GB nas prateleiras para manterem os preços minimamente aceitáveis.
O problema é que o Windows 11 sempre foi um devorador compulsivo de recursos. Ligas o computador, não abres programa nenhum, e quando vais ao Gestor de Tarefas percebes que o sistema operativo já está a comer 60% ou 70% da tua RAM só para manter a área de trabalho funcional.
Mas, agora, encostada à parede pela concorrência, a Microsoft vem finalmente prometer que vai otimizar o sistema para funcionar de forma decente em máquinas mais modestas.

Esta mudança de atitude da Microsoft não acontece por acaso. A empresa apanhou um banho de realidade quando o mercado começou a comparar portáteis de entrada. Um exemplo prático! Num Dell XPS 13 recente equipado com 8GB de RAM, o Windows 11 usava cerca de 70% da memória com zero aplicações abertas. No lado oposto, a Apple consegue fazer maravilhas com a gestão de memória do macOS no seu MacBook Neo. Entregando uma fluidez incomparavelmente superior com a mesma quantidade de RAM.
Pavan Davuluri, o responsável máximo pela divisão do Windows, veio agora a público confirmar que estão a trabalhar numa redução drástica da “pegada” do sistema operativo. A promessa inclui otimizações no WinUI 3 para que as aplicações gastem menos recursos por natureza, além de melhorias de eficiência no ecossistema Chromium e WebView2, que são os grandes culpados pelo consumo absurdo de memória quando abres meia dúzia de separadores no navegador.
A intenção é louvável e já peca por escassos anos de atraso. O utilizador comum não tem de andar a desativar dezenas de serviços escondidos no sistema. Ou a desligar programas do arranque só para conseguir trabalhar no Word sem o computador gritar de horror.
Mas, como a escassez global de memórias promete arrastar-se pelo menos até 2028, a Microsoft não tem outra escolha: ou põe o Windows 11 a dieta de forma séria, ou arrisca-se a ver milhões de consumidores a fugirem para alternativas mais leves. Resta saber se estas promessas vão mesmo traduzir-se em desempenho real ou se vão ficar guardadas na gaveta das boas intenções.
Fonte: Zero Zero


