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Ex-ministra da Saúde da Guiné-Bissau liga avanços na cobertura universal de saúde à inclusão 

Resumo

O Instituto de Saúde Global e Desenvolvimento da Guiné-Bissau participou na 70ª Comissão de Estatuto das Mulheres em Nova Iorque, defendendo maior participação feminina na gestão de trabalhadores de saúde. A presidente, Magda Robalo, pretende aumentar a colaboração com atores internacionais para elevar a voz das mulheres e reduzir a disparidade no setor. Robalo destaca que sem priorizar as mulheres, questões de saúde feminina não serão adequadamente abordadas. A entidade liderada por Robalo preocupa-se com o equilíbrio de género na liderança dos serviços de saúde, contando com parceiros como a OMS e a Universidade Católica da Guiné-Bissau. Magda Robalo defende não só o acesso das mulheres ao setor, mas também a sua liderança na definição de políticas de saúde para benefício da sociedade.

O Instituto de Saúde Global e Desenvolvimento da Guiné-Bissau participou na 70ª. Comissão de Estatuto das Mulheres, CSW70, em Nova Iorque, defendendo mais protagonismo do grupo na administração de trabalhadores deste setor.

A presidente da instituição, Magda Robalo, quer alcançar mais ação e intercâmbio com atores internacionais. A meta é alçar a voz feminina para fechar a lacuna existente entre as que prestam serviços e os que administram o setor.

Negação da justiça

“O sistema de saúde é um mecanismo de redistribuição da justiça. Quando a mulher não tem acesso de forma igual aos cuidados de saúde, porque depende do marido, depende da família do marido ou depende dos pais para ter direito e autorização, por exemplo, para utilizar métodos de planificação familiar, é uma rejeição, é uma negação da justiça. Quando as mulheres continuam subalternizadas no sistema de saúde, a maioria dos técnicos de saúde, a maioria dos profissionais de saúde são mulheres.”

Para Robalo, que foi ministra da Saúde da Guiné-Bissau, e ex-diretora da OMS na África, sem combater essa disparidade e sem priorizar as mulheres, o mundo não conseguirá lidar com questões como vivências, realidade e temas urgentes da saúde da mulher.

Acordos de consenso

Os direitos das mulheres e meninas aos mais elevados padrões de saúde alcançáveis estão previstos em acordos consensuais estabelecidos durante a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, a Plataforma de Ação de Pequim e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

São também defendidos em mecanismos da justiça internacional sobre direitos humanos atribuindo aos Estados a obrigação de respeitar, proteger e efetivar os direitos relacionados à saúde sexual e reprodutiva das mulheres e meninas.

Uma das grandes preocupações da entidade dirigida por Marga Robalo é o equilíbrio de gênero no comando deste tipo de serviço. Os parceiros incluem a Organização Mundial da Saúde, OMS, o Graduate Institute Geneva, a Fundação Sanofi, a Organização de Saúde da África Ocidental, Waho, e a Universidade Católica da Guiné-Bissau.

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Magda Robalo vê sociedades melhores com mais participação feminina entre administradores do sistema

“A OMS estima que, de uma maneira geral, cerca de 70% dos trabalhadores de saúde são mulheres, sobretudo na área da enfermagem, as parteiras, mas também cada vez mais médicas e técnicas de laboratório na área da pesquisa etc. No entanto, quando olharmos para a porcentagem de mulheres que lideram o setor da saúde, ela é de apenas 25%. Portanto, existe um buraco muito grande entre aquelas que prestam serviço, aquelas que fornecem serviços de saúde, aquelas que gerem o sistema de saúde e aquelas que lideram o sistema de saúde.”

Melhorias na direção protagonizada por mulheres

Mais do que advogar pelo acesso de mulheres no setor, a posição da médica também é favorável a melhorias na direção protagonizada por mulheres no mundo lusófono, para definir políticas e decisões de saúde em benefício da sociedade.

“Permita-me também aqui falar rapidamente da importância do acesso aos cuidados de saúde universais, que devem ter em conta o facto de a desigualdade do gênero impedir a mulher de ter acesso a cuidados de saúde de qualidade, acesso a cuidados de qualidade, já que falamos de qualidade e é importante que também se tenha em conta no trabalho que se faz para atingir a cobertura universal de saúde que a mulher seja incluída, que a mulher seja tida em conta, que a mulher participe para que haja saúde para todos num patamar em que a mulher é um ser que beneficia de todos os seus direitos e que contribua para uma sociedade melhor.”

O Instituto de Saúde Global e Desenvolvimento da Guiné-Bissau também forma cidadãos não guineenses. Para Robalo, as mulheres na liderança, apesar das suas competências e trabalho enorme, continuam invisíveis no palco da saúde mundial. As barreiras observadas têm a ver com a dominância da língua inglesa e francesa

*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.

Fonte: ONU

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