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Bitcoin Cai Com Acções E Petróleo Dispara Após Trump Sinalizar Ataques Mais Duros Ao Irão

Resumo

O mercado das criptomoedas reagiu à pressão da geopolítica internacional, com o Bitcoin a cair devido a preocupações com possíveis ataques dos EUA ao Irão. O Bitcoin recuou 2,8%, para menos de 66.300 dólares, enquanto outras criptomoedas como Ethereum e Solana registaram perdas mais acentuadas. Esta reação reflete a redução do apetite por risco em momentos de tensão geopolítica. A aversão ao risco também afetou as ações e o petróleo, que subiu acima de 106 dólares por barril. O aumento do preço do petróleo, devido ao receio de perturbações no abastecimento global, pode impactar a inflação e o crescimento económico. O comportamento do Bitcoin tem seguido o mercado de ações, mostrando-se sensível aos desenvolvimentos geopolíticos, apesar de ser considerado um ativo alternativo.

O mercado das criptomoedas voltou a acusar a pressão da geopolítica internacional, numa sessão em que o Bitcoin recuou com as bolsas e os investidores reduziram exposição a activos mais sensíveis ao risco. Segundo a , a correcção ocorreu depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, indicar que poderá haver ataques mais duros contra o Irão nas próximas semanas, frustrando expectativas de um eventual abrandamento do conflito.A reacção foi imediata. O Bitcoin caiu até 2,8% na sessão asiática, descendo para baixo de 66.300 dólares, ao passo que os criptoactivos de menor dimensão sofreram perdas mais severas. O Ethereum chegou a recuar 4,7% e a Solana 5,1%, numa indicação clara de que, em momentos de stress geopolítico, o apetite por risco diminui mais rapidamente nos segmentos mais voláteis do mercado.O movimento não ocorreu de forma isolada. A mesma peça da indica que o índice caiu 1,7%, revertendo a recuperação anterior, enquanto o subiu mais de 5%, para acima de 106 dólares por barril. Esta combinação é particularmente reveladora: de um lado, a aversão ao risco a penalizar acções e criptoactivos; do outro, o petróleo a incorporar um prémio geopolítico mais elevado, reflectindo o receio de perturbações acrescidas no abastecimento energético global.O ponto central desta reacção reside no facto de as declarações de Trump terem reduzido a esperança de uma resolução próxima da crise. Ainda de acordo com a , o mercado vinha de um sentimento algo mais construtivo, depois de comentários anteriores do próprio Trump sugerirem que poderia ponderar o fim da guerra com o Irão antes da reabertura do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas estratégicas do comércio mundial de petróleo. O novo endurecimento do discurso alterou esse quadro e reintroduziu o risco geopolítico no centro da avaliação dos investidores.A leitura económica é clara. Quando o risco de agravamento militar no Médio Oriente aumenta, o mercado reavalia simultaneamente três dimensões: segurança energética, inflação e crescimento. O aumento do preço do petróleo pode pressionar os custos globais, complicar o trajecto de desinflação e reduzir a margem de manobra dos bancos centrais. Ao mesmo tempo, activos como o Bitcoin, que em certos momentos são promovidos como reserva alternativa de valor, acabam por continuar expostos ao mesmo padrão de liquidação que afecta as acções tecnológicas e outros activos especulativos.Um dos pontos mais relevantes do arquivo partilhado é precisamente esta constatação: apesar de toda a narrativa em torno do Bitcoin como activo alternativo, o seu comportamento recente continuou a acompanhar o sentimento prevalecente nos mercados accionistas. A cofundadora da Orbit Markets, Caroline Mauron, citada pela , observa que “stock and commodity markets continue to whipsaw according to Trump’s latest comments on geopolitical developments” e acrescenta que o Bitcoin “is largely following stocks’ direction”, embora tenha mostrado menor sensibilidade a boas e más notícias nas últimas semanas.Esta observação é importante porque ajuda a desmontar, pelo menos no curto prazo, a ideia de desacoplamento estrutural do Bitcoin em relação aos restantes activos de risco. Em contextos de forte incerteza, a criptomoeda continua a ser tratada por muitos investidores como um activo cuja posição pode ser reduzida rapidamente para proteger carteiras, realizar liquidez ou cortar exposição à volatilidade.Ainda assim, o mesmo texto mostra que o Bitcoin não tem sido o activo mais penalizado por esta fase de tensão. A refere que a criptomoeda encerrou Março com ganho de 2% face ao mês anterior, interrompendo uma série de cinco meses consecutivos de perdas. Já o ouro, tradicionalmente visto como activo-refúgio, terminou Março com uma queda superior a 11%, num ambiente em que os receios inflacionários associados a perturbações na oferta de energia também afectaram a formação de preços.Mas esta resiliência relativa não deve ser confundida com robustez estrutural. O arquivo destaca que a procura pelo Bitcoin permanece pressionada desde a onda de vendas de Outubro, deixando o activo ainda cerca de 45% abaixo do máximo acima de 126 mil dólares atingido nesse mês. Mais do que o movimento intradiário, este é o dado que revela a dimensão da correcção ainda por digerir no mercado.A Bloomberg acrescenta, com base num relatório da , que a chamada procura aparente — medida que compara a procura com o volume de nova oferta minerada — permaneceu negativa em cerca de 63 mil bitcoins no final do mês passado. Isto sugere que o mercado ainda não reencontrou uma base sólida de acumulação capaz de sustentar uma trajectória ascendente mais consistente.Para além da leitura estritamente financeira, há aqui um ângulo macroeconómico mais amplo. O regresso do Brent a níveis acima de 106 dólares reintroduz pressões sobre inflação importada, balanças comerciais e custos de produção, sobretudo em economias importadoras líquidas de combustíveis. Num cenário destes, o impacto do conflito Irão-Estados Unidos deixa de ser apenas um episódio militar ou diplomático e transforma-se num choque económico com efeitos cruzados sobre energia, moedas, juros e activos financeiros.Essa ligação entre petróleo mais caro e queda dos criptoactivos mostra que o mercado continua a interpretar a crise do Médio Oriente como um risco sistémico, e não apenas sectorial. O petróleo sobe porque o medo de perturbação da oferta aumenta; as bolsas caem porque o crescimento global pode ressentir-se; e o Bitcoin recua porque, apesar da sua singularidade tecnológica e financeira, ainda não se emancipou da lógica dominante do apetite global por risco.No essencial, o episódio relatado pela confirma que o mercado cripto permanece vulnerável a choques exógenos, sobretudo quando estes se relacionam com segurança energética e instabilidade geopolítica. A evolução do conflito com o Irão, a trajectória do petróleo e o tom político vindo de Washington poderão continuar a ditar o comportamento de curto prazo do Bitcoin e das principais altcoins.Para já, a mensagem dos mercados é inequívoca: num ambiente internacional mais tenso, o capital procura protecção, reduz risco e penaliza activos cuja valorização depende, em larga medida, de confiança, liquidez e expectativa. O Bitcoin pode ter revelado maior resistência do que em episódios anteriores, mas continua longe de provar que já conquistou um estatuto de verdadeiro abrigo em tempos de crise.

Fonte: O Económico

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