O Governo moçambicano avança com um investimento de 160 milhões de dólares destinado ao desenvolvimento de infra-estruturas críticas no Corredor da Beira, numa iniciativa que pretende reposicionar este eixo como um dos principais canais logísticos da África Austral.De acordo com informações avançadas pelo Ministério dos Transportes e Logística, o financiamento foi formalizado no âmbito de um acordo assinado em Pequim, durante a recente visita presidencial à China, e enquadra-se numa estratégia mais ampla de dinamização dos corredores de desenvolvimento.A aposta no Corredor da Beira reflecte uma leitura estratégica do seu papel na ligação de países do hinterland — como Zimbabwe, Zâmbia e Malawi — aos mercados internacionais, através do Porto da Beira.O investimento contempla a construção de uma nova estrada de acesso directo ao Porto da Beira, bem como a edificação de um Centro de Fracção Logística e do Porto Seco de Dondo, infra-estruturas consideradas essenciais para a modernização do sistema logístico nacional.A nova via deverá permitir desviar o tráfego pesado do centro urbano da Beira, reduzindo a pressão sobre a Estrada Nacional Número 6 (N6), actualmente um dos principais pontos de congestionamento no acesso ao porto.Este redesenho da circulação logística surge como resposta a constrangimentos operacionais que afectam a eficiência do corredor, incluindo longas filas de camiões e tempos de espera elevados, com impacto directo nos custos de transporte e na competitividade do comércio.A reconfiguração do Corredor da Beira insere-se numa lógica de aumento da eficiência logística e de reforço da competitividade regional. Ao melhorar o acesso ao porto e optimizar os fluxos de carga, o país procura consolidar a sua posição como plataforma estratégica para o comércio da África Austral.A criação do Porto Seco de Dondo, com ligação directa ao porto, deverá permitir uma melhor gestão da cadeia logística, reduzindo tempos de processamento e descongestionando as infra-estruturas portuárias.Esta abordagem está alinhada com tendências regionais de desenvolvimento de plataformas logísticas integradas, capazes de suportar volumes crescentes de comércio e responder às exigências de cadeias de valor mais sofisticadas.A execução das obras será assegurada por um consórcio de empresas internacionais, no âmbito de uma parceria público-privada, o que evidencia a aposta do Governo na mobilização de capital e know-how externo para acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas.Para além do impacto directo na logística, o projecto deverá gerar efeitos multiplicadores na economia, incluindo a criação de empregos e o estímulo à actividade empresarial ao longo do corredor.Apesar do potencial transformador do projecto, a sua eficácia dependerá da capacidade de execução dentro dos prazos estabelecidos, bem como da articulação entre as diferentes infra-estruturas previstas.O prazo de execução estimado é de cerca de 15 meses, com trabalhos preparatórios já em curso, incluindo estudos de impacto ambiental e processos de reassentamento.A concretização deste investimento poderá representar um passo importante na modernização da logística nacional, mas também coloca à prova a capacidade institucional de implementar projectos de grande escala com impacto estrutural.
Fonte: O Económico






