InícioEconomiaSasol Prepara Exportação De Combustível Sustentável Para Aviação Para A Europa

Sasol Prepara Exportação De Combustível Sustentável Para Aviação Para A Europa

A sul-africana Sasol prepara-se para entrar no mercado europeu de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF), após obter certificação internacional que valida os seus processos de produção.Segundo a Reuters, a empresa recebeu a certificação ISCC Plus de uma entidade alemã, permitindo-lhe exportar SAF para a União Europeia, um mercado cada vez mais exigente em termos de sustentabilidade energética.Este passo marca uma inflexão estratégica para a empresa e para o sector energético africano, ao abrir acesso a cadeias de valor mais sofisticadas e orientadas para a transição energética.Historicamente, a África do Sul — e o continente em geral — exporta matérias-primas que são posteriormente transformadas noutros mercados. No caso do SAF, esse padrão começa a inverter-se.“Temos muito óleo de cozinha usado que está a ser exportado para a Europa, onde é transformado em combustível. Agora poderemos produzi-lo localmente”, afirmou Sarushen Pillay, executivo da Sasol, citado pela Reuters.A mudança representa um avanço na captura de valor local e na industrialização da cadeia energética.A Sasol prevê uma expansão progressiva da produção de SAF, com volumes iniciais entre 1 a 2 milhões de litros este ano, aumentando para cerca de 16 milhões em 2027 e até 100 milhões de litros em 2030.Considerando também a produção no complexo de Secunda, a empresa aponta para um total de cerca de 200 milhões de litros até ao final da década, reforçando a sua estratégia de redução da pegada de carbono .Esta trajectória alinha-se com as exigências regulatórias internacionais e com a crescente procura por combustíveis mais limpos no sector da aviação.A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas para a incorporação de SAF na aviação, exigindo uma mistura mínima de 6% até 2030, com aumento progressivo até 70% em 2050.Este quadro regulatório cria uma oportunidade significativa para novos fornecedores, mas também impõe barreiras elevadas em termos de certificação, rastreabilidade e competitividade de custos.Apesar do potencial, o acesso ao mercado europeu não será automático. Especialistas apontam desafios relacionados com a certificação de combustíveis sintéticos e com a estrutura de custos.“Este é um primeiro passo… a Sasol está a testar o mercado para perceber o diferencial de preço que pode obter”, afirmou James Reeler, especialista climático do WWF, citado pela Reuters.A competitividade do SAF africano dependerá da capacidade de produzir a preços comparáveis aos mercados internacionais, mantendo padrões rigorosos de sustentabilidade.Estudos indicam que a África do Sul tem potencial para produzir entre 3,2 e 4,5 mil milhões de litros de SAF por ano, utilizando biomassa e resíduos vegetais como matéria-prima.Este potencial posiciona o país — e, por extensão, o continente — como um possível actor relevante na transição energética global, particularmente no sector da aviação.A aposta da Sasol no SAF reflecte uma mudança mais ampla na estratégia industrial, combinando descarbonização com criação de novas oportunidades de negócio.Num contexto em que o sector energético enfrenta pressões crescentes para reduzir emissões, iniciativas como esta mostram como empresas africanas podem posicionar-se em segmentos de maior valor acrescentado.O avanço da Sasol para o mercado europeu de SAF ilustra tanto o potencial como os desafios da transição energética em África.Se por um lado existe uma oportunidade clara de integração em cadeias globais de valor, por outro, o sucesso dependerá da capacidade de cumprir exigências técnicas, regulatórias e de custo.Num mercado altamente competitivo, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma opção — tornou-se um requisito de entrada.

Fonte: O Económico

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