Ao atracar, os passageiros serão desembarcados no porto industrial de Granadilla, longe de áreas residenciais, e serão transportados em veículos lacrados e vigiados, por um corredor completamente isolado. Na sequência, todos serão repatriados diretamente para seus países de origem.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, discursa na 78ª Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, Suíça
“Risco para saúde pública permanece baixo”
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, vai acompanhar a operação pessoalmente, ao lado de profissionais de saúde, equipe portuária e autoridades locais.
Ele divulgou uma mensagem neste sábado, dirigida ao povo de Tenerife, reafirmando que o risco para a saúde pública decorrente do hantavírus permanece baixo.
Tedros enfatizou que a situação atual não é uma repetição da crise da Covid-19, iniciada em 2020.
Ele enfatizou que, neste momento, não há passageiros sintomáticos a bordo. Um especialista da OMS está no navio monitorando a situação e a embarcação foi abastecida em Cabo Verde com suprimentos médicos.
Seis casos confirmados em laboratório
Até ao momento, três pessoas morreram e oito casos suspeitos foram notificados, sendo que seis confirmados em laboratório.
A OMS informou que a estirpe identificada neste surto é o hantavírus do tipo Andes, uma variante conhecida por permitir, em circunstâncias de contato próximo e prolongado, a transmissão entre humanos.
Os hantavírus são vírus zoonóticos transportados por roedores, normalmente transmitidos aos humanos através do contato com animais infectados ou com a sua urina, saliva ou excrementos.

Um rato-de-cabeça-branca da América do Norte (Peromyscus maniculatus) que foi identificado como um dos reservatórios e transmissores do hantavírus.
Solidariedade e compaixão
O líder da OMS disse que agradeceu pessoalmente ao primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, pela decisão de receber este navio, classificando a atitude como “ato de solidariedade e dever moral”.
Tedros adicionou que acompanhar a operação de perto em Tenerife é uma forma de prestar homenagem “a uma ilha que respondeu a uma situação difícil com graça, solidariedade e compaixão”.
Ele lembrou que as quase 150 pessoas a bordo do navio, de 23 países, estiveram no mar durante semanas, “algumas delas de luto, todas assustadas, todas com saudades de casa”.
Regulamento Sanitário Internacional
Segundo o chefe da OMS, Tenerife foi escolhida porque tem a capacidade médica, a infraestrutura e a humanidade para ajudar essas pessoas a voltar para casa em segurança.
A solicitação foi feita com base no Regulamento Sanitário Internacional, o quadro juridicamente vinculativo que define os direitos e as obrigações dos países e da OMS na resposta a eventos de saúde pública de interesse internacional.
Essas regras estabelecem que neste tipo de situação, o porto mais próximo com capacidade médica suficiente deve ser identificado para garantir a segurança e a dignidade dos que estão a bordo.
Fonte: ONU






