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Moçambique Acelera Estratégia Para Se Tornar Hub Energético Regional E Captar Défice De 10 Mil MW Na África Austral

Moçambique está a acelerar uma estratégia ambiciosa para se afirmar como um dos principais hubs energéticos da África Austral, num contexto marcado por um défice regional de cerca de 10 mil megawatts e por uma crescente procura associada à industrialização e electrificação.A visão foi reiterada durante a Conferência de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026), onde actores públicos, privados e multilaterais convergiram na necessidade de expandir de forma coordenada a geração, a transmissão e a integração energética regional.O posicionamento estratégico do país assenta numa combinação de recursos naturais abundantes, localização geográfica privilegiada e potencial para produção de energia limpa e competitiva.No centro desta estratégia está a expansão da capacidade de geração, com destaque para os projectos da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que prepara a implementação da Central Norte, com uma capacidade adicional estimada em 1.245 megawatts.Paralelamente, está em desenvolvimento um projecto solar fotovoltaico de 400 megawatts, concebido com abertura à participação privada, sinalizando uma mudança na abordagem ao financiamento e à estruturação de investimentos energéticos.Segundo o PCA da HCB, Tomás Matola, estes projectos estão alinhados com a ambição de transformar Moçambique num “hub de produção de energia na África Austral”.A diversificação da matriz energética, com maior peso de renováveis, surge como elemento central desta estratégia.Se por um lado a capacidade de geração está em expansão, por outro, a procura interna cresce a um ritmo acelerado, impulsionada pela electrificação e pela dinâmica de crescimento económico.A Electricidade de Moçambique (EDM) liga anualmente mais de 400 mil novos consumidores, o que está a pressionar significativamente o sistema eléctrico nacional.Este crescimento exige uma abordagem integrada, onde geração e transmissão evoluem de forma sincronizada, evitando desequilíbrios que possam comprometer a estabilidade do sistema.Um dos pontos mais críticos identificados pelos intervenientes é a necessidade de reforçar a capacidade de transmissão, tanto a nível nacional como regional.O desafio deixou de ser apenas produzir energia — passa agora por transportá-la de forma eficiente para centros de consumo e mercados externos.O Southern African Power Pool (SAPP) sublinha que o maior obstáculo actual reside na transmissão transfronteiriça, essencial para equilibrar sistemas energéticos entre países com excedentes e défices.Sem este reforço, o potencial exportador de Moçambique poderá ficar limitado.O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) destaca que a viabilidade destes projectos dependerá de um planeamento energético integrado e da mobilização de financiamento adequado.A participação do sector privado, através de parcerias público-privadas e mecanismos de mitigação de risco, será determinante para viabilizar investimentos de grande escala.Ao mesmo tempo, a previsibilidade regulatória e a capacidade de estruturar projectos bancáveis tornam-se condições essenciais para atrair capital internacional.A dimensão energética está directamente ligada à agenda de industrialização. Sem energia disponível e a custos competitivos, a transformação estrutural da economia permanece limitada.Actores industriais defendem que a disponibilidade de energia acessível é condição indispensável para o desenvolvimento de cadeias de valor e para a atracção de investimento produtivo.Neste contexto, a possibilidade de produtores industriais gerarem energia para autoconsumo e injectarem excedentes na rede surge como uma oportunidade adicional de optimização do sistema.A estratégia energética de Moçambique coloca o país numa posição potencialmente privilegiada no contexto regional. No entanto, o sucesso dependerá da capacidade de execução, coordenação institucional e rapidez na tomada de decisões.A janela de oportunidade é clara, mas não permanente. Outros países da região estão igualmente a investir em soluções energéticas alternativas, o que pode reduzir o espaço de mercado disponível.Transformar recursos em vantagem competitiva exigirá não apenas investimentos, mas também disciplina estratégica, governação eficaz e visão de longo prazo.

Fonte: O Económico

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