Resumo
O dólar norte-americano valorizou-se nos mercados internacionais devido a dados positivos do mercado de trabalho dos EUA e ao aumento das tensões no Médio Oriente, levando os investidores a procurar ativos seguros. O índice do dólar subiu 0,1%, atingindo 98,103 pontos, com o euro a recuar para 1,1757 dólares e o iene japonês a desvalorizar para 157,155 ienes por dólar. Os dados do emprego nos EUA, com a criação de 115 mil empregos em abril, superaram as expectativas e reforçaram a ideia de uma economia robusta, levando a previsões de manutenção das taxas de juro elevadas pela Reserva Federal. O petróleo também subiu, aproximando-se dos 106 dólares por barril, o que aumenta as preocupações inflacionárias globais.
Segundo a Reuters, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de seis moedas internacionais — avançou 0,1% nos mercados asiáticos, atingindo 98,103 pontos.
A valorização ocorreu num contexto marcado pela deterioração das expectativas em torno de um eventual entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, considerar “totalmente inaceitável” a resposta iraniana à proposta norte-americana para negociações de paz.
Mercado Procura Refúgio em Activos Norte-Americanos
A combinação entre tensões geopolíticas e indicadores económicos resilientes voltou a favorecer o dólar, tradicionalmente visto pelos investidores como um activo seguro em períodos de incerteza internacional.
O euro recuou 0,2% para 1,1757 dólares, enquanto o iene japonês perdeu 0,3%, negociando em torno de 157,155 ienes por dólar. A libra esterlina também caiu 0,3%, para 1,3590 dólares.
Entre as moedas mais sensíveis ao risco, o dólar australiano desvalorizou 0,2%, ao passo que o dólar neozelandês recuou 0,3%.
Alex Loo, estratega macro sénior da TD Securities em Singapura, afirmou à Reuters que os factores que poderiam pressionar negativamente o dólar “tornaram-se mais difíceis de encontrar”, perante a resiliência dos dados económicos norte-americanos e o impasse persistente no Médio Oriente.
Dados do Emprego Reforçam Expectativas Sobre a Reserva Federal
O comportamento do dólar foi igualmente sustentado pelos dados do emprego divulgados na sexta-feira nos Estados Unidos.
Segundo a Reuters, a economia norte-americana criou 115 mil empregos não agrícolas em Abril, desempenho que superou significativamente as expectativas do mercado e reforçou a percepção de robustez da economia dos EUA.
Os números consolidaram igualmente as expectativas de que a Federal Reserve poderá manter as taxas de juro elevadas durante mais tempo, numa altura em que persistem preocupações relacionadas com inflação e estabilidade financeira.
A Reuters refere ainda que a última reunião da Reserva Federal evidenciou uma das maiores divisões internas das últimas décadas, com três responsáveis a manifestarem oposição à sinalização de futuros cortes das taxas de juro.
Petróleo em Alta Reforça Pressão Inflacionária Global
O fortalecimento do dólar ocorreu simultaneamente com nova escalada dos preços do petróleo, fenómeno que tende a reforçar receios inflacionários à escala internacional.
O Brent subiu cerca de 4,5%, aproximando-se dos 106 dólares por barril, depois de Donald Trump rejeitar a proposta iraniana relacionada com negociações de paz.
O aumento dos preços energéticos volta a pressionar bancos centrais, sobretudo num contexto em que várias economias continuam a enfrentar desafios ligados ao custo de vida, desaceleração económica e volatilidade dos mercados.
A manutenção das restrições no Estreito de Ormuz continua igualmente a alimentar preocupações sobre segurança energética e estabilidade das cadeias globais de abastecimento.
Yuan Chinês Mantém Tendência de Valorização
Em sentido contrário ao comportamento das restantes moedas, o yuan chinês voltou a valorizar-se, registando o oitavo dia consecutivo de ganhos face ao dólar.
Segundo a Reuters, os mercados acompanham com expectativa a visita de Donald Trump à China ainda esta semana, encontro em que deverá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping.
As discussões deverão abordar temas estratégicos como Irão, Taiwan, inteligência artificial, minerais críticos e armas nucleares, num momento em que as relações entre Washington e Pequim continuam a influenciar significativamente os mercados financeiros globais.
Ao mesmo tempo, novos dados económicos mostraram aceleração dos preços no produtor na China, impulsionados pelo aumento dos custos energéticos globais, enquanto as exportações chinesas cresceram acima das expectativas, sustentadas pela procura relacionada com inteligência artificial.
Fonte: O Económico






